O Espírito da Liturgia -

    Romano Guardini

    Cultor de Livros
    2018
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788556381422
    Português Brasileiro

    A liturgia representa a vida espiritual objetiva da Igreja. É “a verdade rezada”, a verdade nuclear das coisas divinas e humanas numa expressão sacramental e ritual, que conduz o espírito humano para a realidade sobrenatural. "O espírito da liturgia" é uma das mais famosas obras de Romano Guardini, na qual Joseph Ratzinger buscou inspiração para compor seu pensamento a respeito do sentido da liturgia. Aqui, o teólogo alemão não pretende expor de modo sistemático o conteúdo da liturgia, mas apenas pôr em relevo o seu espírito e os seus elementos fundamentais, a fim de que a liturgia, que é vida da Igreja, seja vivida em plenitude por seus fiéis.

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    Lucas Krauss09/05/2020Resenhou um livro
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    Essencial para quem quer compreender no que consiste a liturgia da Igreja Católica

    Guardini escreve seu Espírito da Liturgia objetivando captar mesmo a essência da verdadeira liturgia da Igreja. Discorre em suas páginas sobre dimensão coletiva que liturgia possui, tratando do desenvolvimento espiritual da comunidade dos fiéis. Descreve a liturgia como o culto oficial, público e objetivo da Igreja, exercido pelos ministros por ela escolhidos. É pautada por trechos da Sagrada Escritura, bem como de composições dos santos. Nunca abandonando, entretanto, a verdade, que se expressa num límpido pensamento dogmático que a estrutura. De tal modo que a oração nunca se afaste do credo. Guardini vê ainda a liturgia como necessitada da cultura para expressar toda a riqueza da verdade nos seus ritos, universalizando a todo crente o leque de sentimentos, imagens e expressões litúrgicas. O fiel se insere nessa complexidade da liturgia como um membro da unidade da assembléia, não sendo ele que fala individualmente a Deus, mas ela. Deve o fiel encaixar-se nela, renunciando seus individualismos e assumindo para si o que é da comunidade. Sem no entanto perder sua personalidade para o coletivo. É necessária uma justa medida, de modo a alcançar Deus com o todo, mas também a pessoa, sem se perder. O autor vê ainda a liturgia como expressão de um estilo transcendente. Não se trata de um particularismo local. A liturgia é sobre a expressão de uma simplicidade que nos leva ao universal. O particular nos gestos, objetos, paramentos e expressões, culminam todos na manifestação de valores universais. Essa liturgia com seus ritos voltados para o universal no entanto não pode prescindir de uma verdadeira vida de oração pessoal por parte do fiel, que poderá ocasionar da parte dele um ritualismo frio, ou, caso venha a faltar liturgia, numa oração voltada o si mesmo, para suas emoções e necessidades momentâneas que em nada o elevarão a Deus. E assim Romano Guardini prossegue comparando a liturgia ao simples jogo das crianças. Tal como os jogo infantis, a liturgia não possui uma finalidade prática. Ela existe não para atingir o homem, mas tem por seu fim o próprio Deus. A liturgia tem seu sentido simplesmente no existir para Deus, não há um fim prático à vista. E tal como esses jogos, também a liturgia possui suas regras, que são fielmente observadas para que seja vivida com seriedade e verdadeira alegria. A diferença entre o jogo e a liturgia porém se dá no ordenamento por parte desta pelo Espírito Santo, que molda a Igreja para que ser na terra a expressão do reino de Deus. Esse ordenamento se expressa também na liturgia. E assim se deixa claro que a liturgia só poderá ser bem vivida e atingir o seu fim, a saber, o próprio Deus, se o homem dela se aproximar não atraído pela beleza de suas composições artísticas ou visando mesmo um fim pessoal, mas sujeitando-se humildemente a santa Igreja que reza na comunidade de fiéis ao Pai, prestando culto de louvor e adoração a Deus. Essa sujeição que se expressa também na passagem: “Procurai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Só buscando a verdade, que é o próprio Deus, que se revelou ele mesmo a nós como o Amor, poderá o fiel ser libertado de seu egoísmo e das suas inquietações causadas pelo espírito dos tempos e viver plenamente o culto litúrgico, encontrando o espaço necessário para sua alma ir de encontro ao Deus Amor.

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