E depois de tanto tempo, a estória de Margie é concluída. O livro perde um pouco de sua força inicial, nada que atrapalhe a leitura ou estrague a narrativa, mas o hiato entre as obras é percebido, você nota a autora se familiarizando novamente com os personagens.
Continuando de onde o anterior parou, Margie tenta absorver o impacto que a notícia de Indy trouxe para sua vida. Decidida a ser feliz, ela deixa a família para trás e vai viver sua vida com o homem que ama. Mas a felicidade do casal é breve. A teia da família Drazen é mais forte que Indy, e Margie acaba novamente presa na rede de intrigas, segredos e poder de seu sobrenome.
Com o passar dos anos, vemos uma Margie quase robótica, que abraçou todos os negócios de sua família, é ela quem dita as regras, mas sua vida pessoal é inexistente. Para poder cuidar de cada Drazen individualmente, ela esqueceu de si mesma.
Mesclando fatos já apresentados nos outros livros com o ponto de vista inédito de Margie, descobrimos como os anos a afetaram, como cada acontecimento a marcou, até chegamos na parte mais importante da obra: a doença de Jonathan. E nunca senti tanta pena de uma personagem como senti dela. E na mesma proporção senti ódio por Declan e pelo resto da família. Ele é um sociopata, sua mulher é uma pessoa fútil e sem personalidade e suas filhas são egocêntricas. Torci muito para que Margie mandasse todos para o inferno.
A estória que começou nos anos 80 com uma adolescente, avança até nos mostrar uma mulher beirando os cinquenta. E apesar do poder, riqueza e prestígio, ela de fato não conquistou nada verdadeiramente seu. Sem amor, sem família e sem seu bem mais precioso. E após dezesseis anos, Indy está de volta. O tempo também o mudou. O rapaz alegre e despreocupado, se tornou um adulto responsável que queria construir uma família com Margie. Mas com a separação do casal e todos os sonhos perdidos, ele se entrega a bebida, comete um grave erro, paga por isso, e se torna recluso. O homem maduro que retorna quando ela mais precisa não lembra em nada o rapaz por quem ela se apaixonou. Ele não é nem Indy nem Drew. É alguém novo, moldado pela vida.
CD Reiss quase me mata do coração nas partes finais do livro. Toda a tensão que se acumula me fez devorar as páginas atrás de respostas. Por um instante tudo levava a crer no pior. Ainda bem que nada aconteceu.
Amei. Amei de todo o coração o desabafo de Margie no estacionamento do hospital. Esperei ansiosa por esse momento. Toda a família ouviu o que merecia. Margie finalmente liberou tudo que estava entalado em seu peito e despejou seus sentimentos e frustrações, e belas verdades por sinal, em todo mundo. Declan finalmente teve o que mereceu, apesar de achar pouco. Sua arrogância é impossível de ser quebrada.
O final foi perfeito, encerrou com chave de ouro a obra. Os dois mereciam um final juntos. Após tantos anos e tanto tempo perdido, foi poético vê-los finalmente juntos, deixando tudo para trás e conseguindo sua vingança. Só não posso dizer que foi um final feliz, pois com tantas mentiras, intrigas e maldades feitas contra eles, os dois no fim nunca tiveram e nunca terão o que sempre quiseram: a verdade revelada. Entendo Margie não querer estragar a vida de quem mais ama, mas com tudo apresentado nos livros anteriores, seria um alivio não ter relação com uma família tóxica, e sim com duas pessoas normais que sempre estiveram presentes quando necessário. O final feliz dos dois foi agridoce.