Describes growing up in the Islamic Republic of Iran and the group of young women who came together at her home in secret every Thursday to read and discuss great books of Western literature, explaining the influence of Lolita, The Great Gatsby, Pride and Prejudice, and other works on their lives and goals. Reprint. 50,000 first printing.
Reading Lolita in Tehran: A Memoir in Books
Azar Nafisi
Blindness is the worst type of evil
Que relato, meus amigos! "A stern ayatollah, a self-proclaimed philosopher king, had come to rule our land. He had come in the name of a past, a past that, he claimed, had been stolen from him. And he now wanted to re-create us in the image of that illusory past." A Dra. Azar Nafisi foi professora de literatura inglesa no Irã e este livro é uma narração verdadeira de suas memórias como professora, como mãe e, principalmente, como mulher em seu país. O regime do aiatolá Khomeini, que subiu ao poder na revolução de 1979, propôs a volta ao "passado grandioso" do país, por meio da implantação radical da lei islâmica. Em pleno fim do século XX, o país caiu em um abismo de abuso de poder, corrupção, enfraquecimento dos direitos humanos, ditadura moral e dominação do código jurídico pelos grupos religiosos mais fortes politicamente. Não-islâmicos e opositores ao regime eram torturados, mortos, desaparecidos e a opressão sobre as mulheres se fortaleceu. Patrulhas morais passaram a rondar cidades como Teerã, vigiando a vida privada das pessoas e combatendo o que foi chamada de influência decadente do Ocidente, isto é, o imperialismo cultural norte-americano. Ela aborda o controle do Estado sobre a vida das pessoas, criticando uma invasão do poder público sobre a vida privada. O relato de uma menina que foi suspensa do colégio por comer uma maçã de um "jeito muito provocativo", por exemplo, é contados pela autora com triste sentimento de impotência. Nesse contexto desanimador é que a Dra. Nafisi narra sua história, criticando abertamente o regime por meio de suas experiências pessoais. Ela faz paralelos incríveis entre realidade e os livros, assim como nos mostra claramente o poder do romance e da leitura nesses ambientes desesperadores. "Every fairy tale offers the potential to surpass present limits, so in a sense the fairy tale offers you freedoms that reality denies". O poder do romance repousa na sua capacidade de dar acesso às infinitas possibilidades de existência. Toda quinta-feira algumas alunas da Dra. Nafisi se encontram na casa dela para discutir um romance de ficção: livros de Nabokov, James, Austen, Fitzgerald. Dentro de sua realidade, as meninas discutiam as possibilidades e condutas dos personagens dos romances, analisando-os e fazendo comparações com sua própria experiência pessoal. "What we in Iran had in common with Fitzgerald was this dream that became our obsession and took over our reality, this terrible, beautiful dream, impossible in its actualization, for which any amount of violence might be justified or forgiven." (analogia entre The Great Gatsby e a ditadura de Khomeini, que havia sido apoiada por muitos iranianos). Fiquei encantada com ao concluir que o entendimento do romance (e de qualquer outra manifestação artística) é condicionado pela experiência individual de cada um. É fácil concluir que não é a mesma coisa ler Lolita no Irã e ler Lolita no Brasil, por exemplo. Especialmente sendo mulher. "Dreams, Mr. Nyazi, are perfect ideals, complete in themselves. How can you impose them on a constantly changing, imperfect, incomplete reality?" A Dra. Nafisi é uma acadêmica da literatura há anos, então o livro é extremamente bem escrito e, pelo seu conteúdo, tem narrativa forte. No entanto, não sou a grande fã de biografias então confesso que por vezes interrompi a leitura por ela ser "real demais", cheia de detalhes de rotina e dia-a-dia que cansaram um pouco a minha leitura. "Everywork of art, I would declare pompously, is a celebration, an act of insubordination against the betrayals, horrors and infidelities of life." O livro é um memoir riquíssimo, contado a partir do ponto de vista de uma mulher forte, que olha pra realidade sob a responsabilidade (que ela mesmo se atribuiu) de contar criticamente o que está acontecendo com seu país. Recomendo fortemente!
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