A ideia de uma "civilização do milho", como Rafaela Basso propõe, é de grande valor historiográfico e cultural. Ao olharmos para o passado colonial, o que vemos, especialmente através da lente dos historiadores românticos, é a "civilização da mandioca". Estes se basearam nos cronistas coloniais para representar os índios brasileiros como comedores de mandioca e, sabemos, não se afastaram da costa para investigar outros índios reais. Somente em São Paulo, por herança dos guaranis, é que pode surgir esta culinária que questiona diretamente o monolitismo alimentar. Sem a farinha de milho, é difícil compreender o movimento das bandeiras. E é isso o que faz do trabalho de Rafaela Basso uma obra fundamental para se reavaliar nossa história e a formação da culinária brasileira. Carlos Alberto Dória

