Canudos não se rendeu.
A leitura de Os Sertões pode ser dividida em duas etapas, no primeiro terço Euclides nos apresenta uma visão técnica do nordeste brasileiro, características geológicas, formações rochosas, variedades climáticas e de bioma, bem como um breve estudo sobre a população, miscigenação, características físicas, que nos dias de hoje mostraria um grave preconceito como o povo nordestino, esse capítulos iniciais são classificados como A Terra e O Homem. Transcorrido esse primeiro momento, Euclides nos conduz para o capítulo A Luta, é onde vamos ser apresentados a origem de Antônio Conselheiro, e sua peregrinação até a chegada e formação de Canudos. A guerra e sua trajetória é descrita com minúcias e um olhar técnico de quem conhecia bem as instituições militares da época, Canudos foi assaltada por quatro expedições em cada uma delas sentimos os horrores vivenciados por seus atores, com o passar dos parágrafos nos revoltamos com os crimes cometidos pelo estado. Nunca homens e mulheres lutaram tão bravamente para manter apenas seus lares, Canudos resistiu até o último homem, infelizmente até hoje muitos Canudos acontecem dia após dia em nossa malfadada república. Cito um trecho do livro que demarca o heroísmo do nordestino: Canudos não se rendeu. Seus últimos defensores eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados! Sobre a edição da SESI-SP é muito bonita luxuosa tem um excelente papel e um tamanho bom de letras para ler, um ponto que me incomodou em diversos momentos é a quantidade exagerada de notas, algumas são pertinente e enriquecem a leitura já a maioria acaba incomodando, alguns exemplos de nota sem sentido: Ultraje: Insulto, Zune: zumbem, Pesquisas: exploração, esse são exemplos básicos mas vamos ter diversos assim durante o texto parece que o editor duvida da capacidade dos seu leitores, mas em geral é uma excelente edição que ainda contém fotos e imagens de mapas da época.
