Dividido em quatro capítulos, Menina de tranças narra em seus poemas e prosas curtas a trajetória de vida da autora, suas memórias da infância, histórias familiares, os primeiros amores, as frustrações e inquietudes. Há uma transição entre os temas ao longo do livro, até o capítulo final, intitulado Menina-militante. A luta em defesa dos direitos das mulheres negras, o empoderamento feminino, a ancestralidade e o orgulho da identidade cultural afro-brasileira figuram como potências transformadoras na poética de Lilian, atravessando sua biografia e obra. Os poemas de Lilian têm força política, movem, quem os lê, a indignar-se, a pensar, projetar uma sociedade sem racismo, sem machismo. Em tom direto, delicado, veemente ou agressivo, a poesia de Lilian desafia, seus leitores, a engajarem-se na construção de um futuro para a sociedade brasileira, que afirme a negritude da nação. Desafio não só para negras, negros, também para todos os brasileiros. – Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Profa. Dra. do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas da UFSCar.
Menina de tranças -
Lilian Rocha
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Ver maisLeitura 44 de 2021 Menina de tranças [2018] Lilian Rocha (Porto Alegre/RS) Taverna, 2018, 96 p. É incrível a trajetória que nossos cabelos foram obrigados a enfrentar para serem aceitos em uma sociedade onde o padrão de beleza é o liso molejo. A maturidade e a oportunidade trazem ensinamentos. Tudo tem o seu tempo de aceitação e reconhecimento, diz a poeta Lilian Rocha na introdução deste seu terceiro livro. E é precisamente a partir dessa trajetória que se organizam os poemas reunidos aqui em quatro partes: Menina-criança, Menina-sonhadora, Menina-mulher e Menina-militante. Um percurso poético que traduz carinho, zelo e ancestralidade pela história afrocentrada, mas que também observa o presente violento e necessitado de um novo marco civilizatório. "Menina de tranças" não é sobre cabelo apenas. Mas o gesto de trançar e retrançar é sua grande metáfora articuladora porque evoca mãos/mães pretas que carregam experiências de vida. A voz lírica que se manifesta nos poemas de Lilian Rocha articula o público e o privado em clara recuperação da indissociabilidade entre vida íntima, política e expressão poética. Como resultado, memórias de infância e assassinatos de Marielles, amores e marcas, poesia e brincadeiras são expressões de uma mesma potência criadora e transformadora que canta tanto o Basta! das mulheres negras quanto as cabeleiras de um futuro trançado com dignidade e respeito. Segue um poema à guisa de conclusão. ð» GARGANTA na garganta um grito mudo paciência mulher cansei de paciência de inocência roubada e do sorriso estampado no rosto como cartão de visita quero que o meu grito ecoe reverbere e ressoe em todas as mulheres peito e peito olho no olho sororidade de manas que se reconhecem e amanhecem transformadas pela vibração de cada voz feminina liberta, igual salve negra bendita #lilianrocha #meninadetranças #poesiabrasileira #leiamulheres #leiamumulheresnegras
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