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    Os Subterrâneos do Futebol -

    João Saldanha

    José Olympio
    1980
    167 páginas
    5h 34m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.8
    14 avaliações
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    Nascido em Alegrete (RS), em 1917, era considerado patrimônio do Rio. Foi treinador bissexto do Botafogo (campeão carioca de 1957) e da seleção brasileira (nas eliminatórias da Copa de 1970) e teve longa atuação como comentarista esportivo em rádio, TV e jornal. Seu livro Subterrâneos do futebol (Tempo Brasileiro, 1963) é um clássico do gênero, onde conta tudo que acontecia nos bastidores do futebol.

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    Luiz da Motta picture
    Luiz da Motta02/07/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    “Campo de futebol não é loteamento, ninguém é dono de lote, de posição fixa”

    Essa é outra dica, dessa vez recolhida em uma das paradas de ônibus do Projeto T-Bone (que acervo!). São crônicas que João Saldanha escreveu, contando os bastidores das excursões do Botafogo, entre as Copas da Suécia e do Chile. Histórias que envolvem Garrincha, Newton Santos e companhia, contadas em ritmo coloquial, como uma bem-humorada conversa de botequim, daqueles com mesas espalhadas pelas calçadas de Copacabana. O problema começa aí, uma vez que depois da terceira, décima tulipa, a autocensura diminui e a primeira vítima é a vida alheia. Ainda mais nas mãos de um sádico cronista como Saldanha. São 30 crônicas, que testemunham cartolagens, intromissões políticas e problemas sociais que desde sempre fazem parte do futebol. De um modo geral, os personagens se repetem: o próprio Saldanha, sempre no papel de andor da moralidade; Garrincha, anti-herói, carismático, sem nenhum caráter; e o resto do time como coadjuvante. Na crônica, “Olé Nasceu no México”, ele conta sobre a primeira vez em que uma torcida gritou “olé” pra comemorar uma finta. Foi numa disputa de bola entre Garrincha e Federico Vario, zagueiro do River Plate. E tome histórias sobre escapadas da concentração para encontros amorosos com namoradas, prostitutas e até travestis, passando por inúmeras cidades da Europa e da América Latina. Algumas dessas histórias são difíceis de aceitar. As peripécias de Garrincha, eu já esperava. Outras surpreendem. Tem coisa sobre Didi, por exemplo, que preferi não acreditar. Afinal de contas, Didi sempre foi de Guiomar… Newton Santos é sempre preservado. Um livro como esse jamais sairia hoje em dia. É uma aula de jornalismo marrom. Para quem é a favor de censurar biografias, trata-se de uma peça crime. Aliás, quem conhece a biografia de Saldanha, nascido na fronteira do Rio Grande do Sul, em uma família de maragatos, sabe que sua história é tão interessante como a Garrincha ou mesmo a de Pelé. Os biógrafos dele nunca precisaram contar com mitos – o real já é extraordinário. O pior é que Saldanha sempre gozou de confiança da população. Em 1974, foi escolhido como garoto propaganda da Caixa Econômica Federal para o lançamento da Loteca – aquela da zebrinha. Hoje, porém, sabemos que cultivava a própria imagem em detrimento da verdade dos fatos. Seus biógrafos concordam com a fama de mitômano. Flagrei numa das crônicas um lapso na memória de Saldanha. Falha que não prova nada, mas é bom registrar. Em “O Concurso de Bolero”, ele entra em contradição com o depoimento que aparece no filme João Saldanha – Uma Vida em Jogo de André Iki Siqueira, 2011. No livro, Garrincha faz par com uma dançarina de bolero, em El Salvador; já no filme, o concurso é de tango numa viagem à Argentina. Pelo que apurei a ideia do livro nem foi dele. Teria sido iniciativa da José Olympio Editora, no inicio dos anos 80. Os editores queriam depoimentos sobre manifestações “típicas de nossa gente”. Aparentemente os textos já existiam. Saldanha só melhorou o molho. Pior pra quem virou seu personagem. Veja isso: “Tá vendo? – insiste Mané. – Ele pensa que é branco. Sarará é macaco na Alemanha. No Brasil, tem crioulo e macaco daqui é preto. Na Alemanha tem louro e macaco de lá é sarará. Eu queria te ver naquele lugar que tem duas piscinas, uma pra branco e outra pra crioulo. Em qual que eles iam te deixar entrar. E deu uma disparada dando gargalhadas, porque Paulinho* já estava apelando.”

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