"Teses sobre Homicídio" é um livro que vai muito além do que o seu título faz supor. O que se tem na obra é a reunião de vários textos que dialogam com a questão do homicídio por diversas perspectivas, não se contentando meramente com uma abordagem jurídica do fenômeno, pois é dessa forma, enquanto fenômeno, que o ato de assassinar alguém, o "mais humano" dos crimes, é considerado na obra. Para além da análise via direito, entram em cena psicologia, psicanálise, sociologia e filosofia, formando a base que permite um olhar muito mais reflexivo e questionador que qualquer outro que forneça respostas únicas. Esse é o chão ampara a obra.
O livro é constituído por 42 teses - cada uma trabalha num capítulo próprio. São textos objetivos e concisos, os quais representam um notório poder de síntese do autor, pois consegue trabalhar com temas complexos e delicados de maneira fluida e direta. Temas como psicopatia, qualificadoras do homicídio, Tribunal do Júri, assassinatos da literatura e do cinema, a influência da mídia nos processos judiciais e tantos outros compõem os desdobramentos que a questão do homicídio comporta, resultando numa obra rica nesse sentido.
Como bem evidencia Daniel Avelar na apresentação do livro, "André Peixoto de Souza não é um espectador impassível da (nossa) realidade, mas sim, um agente de sua transformação". Isso reflete diretamente na obra, resultando nesse trabalho que é "o espelho do espírito inquietante e provocador do advogado, tribuno, filósofo, professor e músico que a escreveu". "Teses sobre Homicídio" é, portanto, um livro que provoca e questiona - além de cativar o leitor. Muitas são as reflexões necessárias que da leitura surgem, atestando a qualidade do livro - que pode ser lido não apenas pelos juristas, mas por toda e qualquer pessoa interessada na temática.