A Ponto de Explodir -

    Sérgio Fantini

    Jovens Escribas
    2013
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-13: 9788566505290
    Português Brasileiro

    “A Ponto de Explodir” representa o auge da narrativa urbana típica da obra de Sérgio Fantini. Tido por muitos como sua melhor obra, foi a razão principal da aproximação da Editora Jovens Escribas com o autor. A primeira edição do livro saiu em 2008 e, ao cair nas mãos dos editores da Jovens Escribas, suscitou o desejo de publicar uma nova edição no futuro. Nesse meio tempo, porém, Fantini tinha outros projetos e a editora acabou viabilizando os livros “Silas” e “Novella” antes de trabalharem em “A Ponto de Explodir”. Os anos foram providenciais para o autor, que teve a oportunidade de trabalhar várias das histórias, além de cortar algumas e acrescentar outras inéditas. O resultado é uma nova edição “bem melhor que a primeira”, segundo o próprio Sérgio. Os contos acompanham personagens diversos lidando com os dissabores e conflitos inerentes a uma grande cidade, os relacionamentos confusos, a pressão da urbe, a falta de dinheiro, a necessidade de lazer, a busca do amor e tudo o que nos move em meio ao caos urbano. “A Ponto de Explodir” (que estampa na capa uma belíssima ilustração do artista Guga Schultz, representando o homem urbano angustiado diante da cidade) é Sérgio Fantini na melhor forma, mostrando porque ele é hoje um dos principais contistas do país.

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    SAMUEL MEDINA DO NASCIMENTO10/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro em contagem regressiva

    Quando li A ponto de explodir, de Sérgio Fantini, pela primeira vez, foi com um exemplar emprestado pelo autor. Ao terminar, senti uma urgência absurda de ter o meu próprio livro. Perguntei ao Fantini se ele tinha algum para me vender e fiquei desapontado com a negativa. Anos depois, ele veio me contar da reedição do livro. Imediatamente, implorei para que reservasse o meu. Fui tomado pelo mesmo senso de urgência que me acometeu quando de minha primeira leitura. Da urgência, fui ao deleite ao ter em mãos o meu exemplar autografado. A capa traduzia o que eu sentira ao ler os contos do livro: a solidão, o desespero, o tédio, a ironia e - por que não - o humor. Há um tom de galhofa permeando a maioria dos contos. É como se o narrador tirasse uma com a cara de quem está lendo. E ainda esperasse um "obrigado" como resposta. Os contos são agudos como uma faca muito bem amolada e que, ao cortar, dá prazer logo antes da dor e de todo o sangue. As histórias desveladas em A ponto de explodir são corriqueiras. Narrativas que muito bem podem ter acontecido logo ali - na rua de baixo do bairro. Ou no centro, na parte suja e esquecida da cidade - qualquer grande cidade. Em A ponto de explodir somos levados a passear pelos olhos e peles de pessoas comuns. E que, de tão comuns, deixam à flor da pele o que há de grotesco e feio nelas, junto com o que há de belo e inocente. Assim é formada a armadilha. Nessas imagens a princípio tão triviais emerge uma escrita que nos atinge na boca do estômago. Não posso deixar de tachar o livro como uma "bad trip". E daquele tipo que fissura e vicia. Uma deliciosa agonia, um texto forte como um conhaque. E cujo sabor melhora ainda mais com o tempo.

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