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    Maomé, uma Biografia do Profeta -

    Karen Armstrong

    Companhia das Letras
    2002
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-10: 8535902368
    Português Brasileiro
    4.1
    85 avaliações
    Leram139Lendo16Querem261Relendo1Abandonos8Resenhas10
    Favoritos7Desejados261Avaliaram85

    Minuciosa reconstituição da trajetória do fundador da religião muçulmana. A autora discute temas de importância atual para o islamismo, como a guerra santa, e sugere que o estudo da vida do Profeta leva a uma compreensão maior da natureza do fenômeno religioso. Dante Alighieri colocou Maomé no Inferno e Voltaire dizia que o Corão era "o pesadelo da razão". Esses autores encarnam dois momentos de uma longa história de incompreensão entre as maiores tradições culturais da humanidade. Ocidente e Oriente viveram inúmeros momentos de hostilidade recíproca - que não raro se agudizaram até o limite do confronto -, mas Jesus sempre foi considerado parte integrante da religião islâmica, na qualidade de profeta precursor da revelação final. No século XX, a situação de desconhecimento do Ocidente em relação à religião muçulmana começou a mudar, com o surgimento de biografias como as de Montgomery Watt, Martin Lings e, especialmente, com o estudo de Maxime Rodinson, que destaca a liderança política e militar do Profeta. Em Maomé - uma biografia do Profeta, Karen Armstrong procura ir além dos autores que a precederam. Ela lembra que, de um ponto de vista histórico, o Profeta do Islão é o mais conhecido dos fundadores das grandes fés e que o estudo da sua vida nos permite compreender melhor a natureza do fenômeno religioso. A experiência espiritual de Maomé, numa caverna do monte Hira, por exemplo, é comparada às visões e aos êxtases de santa Teresa de Ávila. Armstrong demonstra também que um conhecimento aprofundado dos personagens envolvidos na eclosão da fé muçulmana é essencial para o estabelecimento de relações mais tolerantes e fraternas entre civilizações que, há séculos, vêm se defrontando num conflito interminável. Esta minuciosa e erudita biografia aborda questões centrais para as decisivas - e às vezes acaloradas - discussões contemporâneas acerca do cenário geopolítico internacional, como a polêmica dos chamados "versículos satânicos" e as diferentes interpretações da jihad. Com esta obra, traduzida inclusive para o árabe, Karen Armstrong dá uma importante contribuição para o reconhecimento de formas mais harmoniosas de convívio entre civilizações - condição que se apresenta imperiosa para o futuro da humanidade.

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    Resenhas (10)Ver mais
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    Júlio17/03/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ótima visão sobre o Islã

    O livro me surpreendeu bastante, Maomé como um personagem histórico é muito mais crível que o messias cristão. A figura de Maomé não evoca poderes sobrenaturais fantasiosos, os relatos sobre ele não precisam de magia e afins, como ocorre com seu correspondente cristão. Diferentemente do Jesus, que a única "fonte histórica" que se tem sobre ele é a bíblia e faz com que nos questionemos se realmente existiu, Maomé foi uma figura real. Não é realizador de milagres místicos, mas seu poder reside na eloquência do discurso - que aparenta ser bem poderoso em encantar e converter os ouvintes. Além disso, Maomé é não apenas um líder religioso, mas político; prega a unidade, a caridade, o coletivo - e isso também o difere do cristo, que é 'apenas' um líder religioso. Não se tem como negar que Maomé trouxe um conceito filosófico revolucionário para a época, local e contexto sociocultural do Oriente Médio de então quebrando velhos paradigmas que imperavam há bastante tempo. O ensino dessa nova filosofia do Islã foi disruptivo, o que gerou conflito com as tradições estabelecidas. A figura de Maomé é intrigante e cativante de um modo diferente, exala bastante bondade, coerência, respeito e cuidado por todos, que muito difere da forma como encaramos o islã hoje em dia. A dúvida que resta é o quanto o preconceito tem moldado nossa percepção, ou o quanto os praticantes atuais, com o passar do tempo, se desviaram do que era pregado na essência. Por último, tenho que exaltar a abordagem da autora que fez um trabalho incrível e imparcial. Isso fez toda a diferença! Ela não busca defender ou condenar o islamismo, mas traz uma perspectiva de compreensão dessa que é uma das maiores vertentes de crenças do mundo. Ao contrastar o islã com o cristianismo e o judaísmo (que têm a mesma raiz), ela consegue ser neutra e exaltar os pontos fundamentais de cada um. Realmente é um livro que vale a leitura pela figura histórica de seu personagem e sua influência na construção da cultura árabe, do mesmo jeito que entender sobre o Jesus (mesmo que mítico) nos ajuda a entender sobre nossa sociedade cristã.

    5 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 85
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Karen Armstrong profile picture

    Karen Armstrong

    Karen Armstrong nasceu em Wildmoor, Worcestershire, Inglaterra, no seio de uma família católica de raízes irlandesas. Em 1962, com dezessete anos, torna-se noviça na ordem religiosa Society of the Holy Child Jesus e em 1965 tomou os votos de freira, assumindo o nome de Irmã Martha. Ainda no mesmo ano foi autorizada pela ordem a estudar Literatura Inglesa na Universidade de Oxford. Decepcionada com a vida religiosa, Karen abandona o convento em 1969 e orienta-se para a realização de um doutoramento sobre o poeta Alfred Tennyson; ao mesmo tempo começa a ensinar na Universidade de Londres. Porém, a sua tese de doutoramento foi rejeitada por um inspector externo e Karen ficou impedida de poder ensinar numa universidade. Todo este período foi marcado por problemas de saúde resultantes de uma epilepsia não diagnosticada e não tratada. Em 1976 tornou-se professora num colégio feminino em Dulwich. Chega a ser directora de departamento, mas devido ao seu absentismo (provocado pelos problemas de saúde) foi convidada a abandonar a instituição em 1981. Em 1981 publicou Through the Narrow Gate, uma obra que relatava a sua fracassada experiência no convento e que rapidamente se tornou um best-seller na Grã-Bretanha. Começou a ser convidada a participar como comentadora em programas de televisão e em 1984 escreve e apresenta um programa sobre a vida de São Paulo para a estação de televisão Channel Four. O trabalhou que desenvolveu para concretizar o programa, que incluiu filmagens na cidade de Jerusalém, fez com que Karen mergulhasse de novo na esfera do religioso, depois de anos de afastamento, crítica e rejeição. Desde então tornou-se uma aclamada e respeitada autora sobre religiões abraâmicas, investigando temas como o recrudescimento dos integrismos religiosos nos nossos dias. É também autora de uma biografia de Buda, que se destaca pelo trabalho de pesquisa que diferencia a história da lenda. Ocasionalmente ensina Cristianismo no Leo Baeck College de Londres, uma instituição formadora rabinos. Em 1999 recebeu um prémio do Islamic Center of Southern California por promover o entendimento entre religiões. Karen Armstrong escreve regularmente na imprensa e muitos dos seus artigos podem ser lidos no jornal britânico The Guardian. Em 2005, Karen foi convidada a integrar a "Aliança das Civilizações", um projecto secundado pelas Nações Unidas e pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, cujo objectivo é lançar pontes de diálogo entre o Ocidente e o mundo islâmico. O seu mais recente livro, publicado em finais de 2005, aborda a história e as funções da mitologia. (Fonte: Wikipedia)

    28 Livros
    41 Seguidores
    Worcestershire, Reino Unido

    Karen Armstrong