Pouco antes do Ato Institucional n. 5, a cena teatral brasileira fervilhava com atores e produtores que fincaram as bases do teatro contemporâneo: Ruth Escobar, José Celso Martinez, Augusto Boal e Antunes Filho, entre outros, desafiavam o status quo e resistiam nesse momento histórico desfavorável para a arte e a liberdade de expressão. O jornalista Alberto P. Quartim de Moraes faz um panorama sobre os diversos grupos e movimentos que enfrentaram com garra e coragem o recrudescimento da violência instituída pelo Estado brasileiro em 1968.
Anos de Chumbo - O teatro brasileiro na cena de 1968
A.P. Quartim de Moraes
1968: Anos de Chumbo
Neste final do ano passado, 2018, a Edições Sesc São Paulo, publicou o livro “Anos de Chumbo: o teatro brasileiro na cena de 1968”, do Jornalista, comunicador social e editor de livros, A. P. Quartim de Moraes, que trabalhou, sucessivamente, no Estadão, na revista Visão e no Governo do Estado de São Paulo. Quartim ainda foi secretário de Imprensa do governador Franco Montoro; coordenador de Comunicação Social da antiga Nossa Caixa-Nosso Banco – onde criou o projeto Teatral “Arte em Cena”; gerente de Comunicação Social da Fundação Memorial da América Latina; e assessor de Comunicação Social da Secretaria da Cultura do Estado, na gestão de Ricardo Ohtake. Em 1995 planejou, implantou e dirigiu, por sete anos, a Editora Senac-SP. Depois criou sua própria editora, a Códex/Conex, e foi editor associado das casas Ediouro e Global. De volta ao jornalismo, foi articulista e editorialista do Estadão de 2009 a 2017. Nesta obra, o autor apresenta um amplo panorama da cena teatral brasileira em uma complicada época para os amantes da arte, bem como para a população brasileira: o AI5, ou seja, o início da ditadura militar e a oficialização do Ato Institucional nº 5, que foi decretado pelo general Arthur da Costa e Silva, no dia 13/12/1968, conforme trecho mencionando a seguir: 13/12 – O governo militar decreta o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que escancara o regime ditatorial com o fechamento do Congresso Nacional, a imposição de recesso aos tribunais e a suspensão do habeas corpus. A ditadura se institucionaliza. Embora o teatro brasileiro, que fervilhava com suas apresentações em grande volume principalmente na cidade de São Paulo e Rio de Janeiro que tinha como nome de peso os consagrados artistas Cacilda Becker, José Celso Martinez Corrêa, Plínio Marcos, Ruth Escobar entre outros, o ato veio para desestabilizar o cenário artístico nacional. Naquele momento, o teatro pregava a liberdade de expressão em suas peças e a contragosto dos governantes que não entraram com retaliação, os artistas da época contemporânea, desafiavam as ações dos militares e lutavam pela sobrevivência da vida teatral, bem como a própria vida, como demonstra um trecho do livro a seguir: “Junho de 1968 marcou o auge e, a partir daí, o arrefecimento da mobilização estudantil-popular contra a ditadura militar, principalmente no Rio de Janeiro. Junho também marcou também, depois da ruidosa reação da classe teatral à censura de ‘Um bonde chamado desejo’ e mais dois espetáculos, a explosão dos episódios mais relevantes, e daí para gente seus desdobramentos no processo de resistência democrática. Processo que acabou sofrendo um golpe fatal em dezembro, com a decretação do famigerado AI-5”. Para que possam compreender a obram esta foi dividida em três atos que são eles: “Assim foi, se não duvidas” Este primeiro ato nos apresenta a era teatral antes de 1968 e a participação efetiva dos artistas em um cenário que exprimia a liberdade de expressão. “Muito barulho por tudo” Já neste segundo anto, o autor nos apresenta as principais peças teatrais e suas respectivas companhias, no qual traz destaque para o Teatro Arena, , entre as quais destacam-se O rei da vela, do Oficina, e a 1ª Feira Paulista de Opinião, do Arena; “Vestidos de farda” E por último, o terceiro ato que explicitamente nos apresenta a ordem cronológica dos eventos e discussões políticas sociais, as peças que foram apresentadas ao público em os 1968, mesmo que desafiando a armada governamental e os debates sobre essa época. Numa visão panorâmica, Quartim de Moraes amarra os fatos ocorridos na época e a participação constante dos artistas e profissionais que persistiam em manter a vida do teatro brasileiro em continua participação efetiva, sobretudo em um período onde a violência contra estes artistas, aumentava gradativamente nos dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro, palco dos principais teatros da época.
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