Quando fiz a disciplina de Filosofia da Tecnologia na faculdade, esse livro estava listado como referência em um dos textos e já pelo título fiquei interessada. Fui então atrás de baixar o livro digital para ter uma noção se realmente era interessante ou se seria uma linguagem muito acadêmica e difícil de acompanhar, mas não tinha em lugar nenhum! Depois de pensar e repensar decidi comprar e arriscar, tendo a possibilidade de me arrepender, e ainda bem que fiz isso. Uma das melhores leituras do ano com certeza.
O autor reflete sobre diversos pontos da new economy, começando da falsa promessa de felicidade atrelada ao trabalho, e da mentalidade que o trabalho é o prazer não-vivido, uma questão em que se 'economiza' um prazer que será dificilmente desfrutado.
"[...] Em consequência, essas filosofias indicavam como objetivo político principal a conquista de uma condição social em que o trabalho produtivo e a auto-realização fossem a mesma coisa."
Fala também da diferença entre os antigos operários das fábricas, que trabalhavam juntos e por isso tinham um sentido de pertença a um grupo, e do 'cognitariado', a classe de trabalhadores que realiza os mesmos gestos mecânicos de trabalho em frente a um computador, mas que tem como diferenciação o trabalho especializado cognitivo, que está espalhada globalmente e dificilmente tem o mesmo senso de unidade que existia antes.
"Não há mais comunismo operário, porque os operários não tem mais uma comunidade."
"Quanto mais seu trabalho se simplifica do ponto de vista físico, tanto menos intercambiáveis são seus conhecimentos, suas capacidades, seus rendimentos.
[...] Consequentemente, os trabalhadores high-tech tendem a considerar o trabalho a parte mais essencial de sua vida, a parte mais singular e mais personalizada. Exatamente o contrário do que acontecia com o operário industrial."
Outro ponto que ele toca é a questão de que, com a globalização, as empresas de países mais desenvolvidos procuram mão de obra de países subdesenvolvidos e os empregam com salários baixíssimos, e defende (mesmo que acreditando ser útopico) um salário mínimo global.
" A inteligência coletiva reduz ou resolve menos ainda a complexidade e o sofrimento do corpo planetário que se emaranha lá fora, sem inteligência nem riqueza, sem paz."
"O escravismo é na verdade o único aspecto que torna competitivos os países mais pobres, e a possibilidade de cometer qualquer violência contra a vida humana é o incentivo que leva as empresas ocidentais a investir nos países do mundo pobre."
Enfim, foram muitos pontos interessantes, mais do que cabe expor aqui, e fiz diversas marcações no livro, recomendo fortemente aos interessados no assunto!