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    Marshal Law -

    Pat Mills

    Panini Comics
    2019
    484 páginas
    16h 8m
    ISBN-13: 9788542616163
    Português Brasileiro
    4.1
    41 avaliações
    Leram55Lendo3Querem35Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos7Desejados35Avaliaram41

    "Seguindo a mesma linha de JUIZ DREDD e do sucesso THE BOYS, MARSHAL LAW é uma violenta e satírica série futurista sobre um oficial da lei encarregado de policiar super-heróis que se tornaram fora da lei, usando quaisquer meios necessários. Enquanto isso, ele precisa enfrentar seu autodesprezo por ser aquilo que mais odeia: um super-herói! Com arte de Kevin O’Neill, ilustrador de A LIGA EXTRAORDINÁRIA, a peça central deste enorme volume é o conto original em seis partes no qual Marshal Law caça um serial killer que está ligado de alguma forma ao popular herói conhecido como Espírito Público. (Marshal Law 1-6, Marshal Law: Kingdom of the Blind, Marshal Law: Secret Tribunal 1-2, Marshal Law: Super Babylon, Toxic! 1-8, 14-15, Crime & Punishment: Marshal Law Takes Manhattan)"

    Edições (1)

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    Resenhas (1)Ver mais
    Luan Carvalho picture
    Luan Carvalho31/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    PUNK

    Infelizmente, inúmeros quadrinhos de ótima qualidade foram eclipsados nas décadas de 1980 e 1990 pelo sucesso estrondoso de obras como "Monstro do Pântano", "Watchmen" e "V de Vingança", de Alan Moore, "Batman: O Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller e "Sandman", de Neil Gaiman. O triunvirato monopolizou praticamente toda atenção da mídia especializada e dos fãs num dos períodos mais prolíferos da história das HQs. Acontece que o lado "negativo" de tanta fama é a falta de atenção que outros artistas recebem, e foi exatamente o que ocorreu com Pat Mills e Kevin O'Neill, em “Marshal Law”. Juntos, a dupla desenvolveu uma das críticas mais contundentes contra a própria indústria mainstrem, num gibi mainstrem. Ou seja, usaram o espaço dos super-heróis para atacar tudo de tóxico que eles representam. Joe Gilmore (alter ego de Marshal Law) é um ex-combatente da Zona (área fictícia na América do Sul, local onde ocorreu uma guerra). Ele - como muitos jovens inebriados pelas palavras da então maior figura midiática dos EUA, o super-herói Espírito Público -decide se alistar para o conflito bélico, e através de uma transformação genética em laboratório ganha superpoderes para ser uma máquina de guerrear. Com poderes e corpos modificados, os confrontos tomaram proporções inimagináveis; os horrores vivenciados pelos jovens, outrora seduzidos pela campanha e discursos ufanistas estadunidenses, são intensos e devastadores, causando danos físicos e mentais irreparáveis. Após o término da conflagração, o governo estadunidense nega auxílio e amparo aos ex-militares, com grande parte dos sobreviventes acometidos por distúrbios e problemas de natureza física e psicológica. O cenário é agravado por comportamentos intempestivos e desequilibrados que esses super-humanos possuem, causando transtornos para a sociedade. As autoridades de São Francisco (local em que a história se passa) optam por trabalhar em colaboração com Marshal Law, que tem seu ódio e senso de justiça chancelados. A trama principal gira em torno de Marshal Law vs Espírito Público, e grandes momentos de bastidores com um jogo político complexo evidenciam que Law é apenas um fantoche do Estado. A forma como o Espírito Público utiliza palavras como fé, esperança e, principalmente, patriotismo simbolizam toda toxidade envolta nos valores dos supers, e, do mesmo modo, as ações do policial justiceiro também representam essa faceta tóxica. Pat não poupa críticas a ninguém, expõe a cadeia lógica da produção fascistóide nos quadrinhos: Dos super-heróis aos anti-heóis, fica claro que o autor rechaça o argumento de que os fins justificam os meios. O gibi tem um ótimo arco principal. O ponto alto é quando Mills utiliza o estudo acadêmico da personagem Lynn contra as figuras heroicas ao destilar críticas severas contra o "simbolismo fálico", além de todo ideal e consequências que essa visão hiper masculina possui, repreendendo manifestações sentimentais por considera-las feminina e, simultaneamente, relacionando o feminino como objeto de conquista e dominação, contribuindo com a manutenção da estrutura patriarcal, machista e homofóbica. Depois da história elementar, a série torna-se episódica, mantendo um bom nível com ótimas reflexões e provocações aos personagens de Marvel e DC ¬– algumas paródias são muito boas. Talvez a mudança de editoria e periodicidade tenham atrapalhando o ritmo. Daria nota 4,5 para o arco principal e 4 para capítulos variados. A narrativa visual é impecável, O’Neill traz toda áurea punk e anarquista essencial para esse projeto, uma estilização exagerada (propositalmente), à lá Trainspotting. Fico indignado quando dizem que a estética desse gibi é ruim, certamente a pessoa não compreendeu as camadas mais subjetivas do livro. Este título não só é importante como influenciou Garth Ennis ao escrever The Boys. Uma ótima leitura. As críticas elegantes que Moore tece aos heróis está aqui, mas de maneira nada elegante. Mais parecidas com socos e chutes no estômago.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 41
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Patrick Eamon Mills profile picture

    Patrick Eamon Mills

    Pat Mills, conhecido como o "padrinho dos quadrinhos britânicos", é um escritor e editor de histórias em quadrinhos que, junto com John Wagner, promoveu uma renovação dos quadrinhos de ação britânicos durante a década de 1970. Em suas obras nota-se uma grande dose de violência e de idéias antiautoritárias e humanistas. Mills é mais conhecido por ter criado a revista 2000 A.D. e por ter auxiliado no desenvolvimento do personagem Juiz Dredd. Ele começou sua carreira como sub-editor para a D.C. Thomsom & Company Ltd, onde encontrou Wagner. Em 1971 ambos se tornaram freelance, e em breve já estariam escrevendo roteiros para os quadrinhos humorísticos femininos da editora IPC.Depois que a D.C. Thomson lançou Warlord, uma bem sucedida publicação semanal com histórias de guerra, Mills foi convidado para, em 1975, desenvolver um título semelhante para a rival IPC. Mills permaneceu no departamento feminino da editora, a fim de evitar a atenção dos outros departamentos da editora; e trabalhou, de forma secreta, junto com Wagner e Gerry Finley-Day num novo título: Battle Picture Weekly. As histórias da Battle eram mais violentas, e seus personagens pertenciam à classe operária, diferentemente dos outros títulos da IPC. Com esses elementos, Battle se tornou um sucesso imediato. Pouco antes do lançamento da publicação, Mills renuncia ao cargo de editor. Mais tarde, entretanto, ele escreveria para a revista a premiada história Charley's War, ambientada na Primeira Guerra Mundial, com desenhos de Joe Colquhoun. Depois de lançar Battle, Mills se voltou para o desenvolvimento de outra revista em quadrinhos: Action, lançada em 1976. Action causou polêmica e protestos por parte da mídia britânica, devido à grande carga de violência presente nas histórias. Durou dois anos antes de ser retirada do mercado. Sua próxima criação foi uma revista voltada para a ficção científica: 2000 AD (1977). Do mesmo modo que Battle e Action, Mills desenvolveu o conceito de várias séries que depois ficariam a cargo de outros roteiristas. Mils cuidou, inclusive, da criação de grande parte do universo de Juiz Dredd, escrevendo algumas das primeiras histórias do personagem, quando o criador John Wagner se ausentou temporariamente. Em 1978 a IPC lança uma revista para competir com a 2000 AD, chamada Starlord, que teve uma curta vida editorial. Para esta publicação, Mills criou Ro-Busters, história que após o cancelamento de Starlord passou a fazer parte do mix de 2000 AD. Com Ro-Busters, Mills deu início a um mini-universo no qual se passaria algumas de suas histórias, como ABC Warriors e Nemesis the Warlock; o artista Kevin O'Neill esteve envolvido na criação destas três sagas.Nemesis apresentava um herói alienígena de caráter moralmente ambíguo, que enfrentava um império despótico comandado por humanos. Esta história permitiu ao autor expressar suas idéias sobre imperialismo e religião. Outro de seus trabalhos consagrados foi Sláine, uma história de fantasia baseada na mitologia celta e no neo-paganismo. Sláine foi co-criado pela ilustradora Angela Kincaid, então esposa de Mills. A mini-série The Horned God (desenhada por Simon Bisley) foi publicada no Brasil pela extinta editora Pandora Books. Sempre teve pouco sucesso no mercado estadunidense, à exceção da obra Marshal Law (desenhada por Kevin O'Neill), uma brutal sátira aos super-heróis, publicada nos EUA pelo selo Epic da Marvel Comics. No Brasil, a primeira minissérie de Marshall Law e uma edição especial foram publicadas pela Editora Abril.

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    Patrick Eamon Mills