Um Diálogo da Hermenêutica com a Literatura - em busca da justiça

    Maria Helena Damasceno e Silva Megale

    DPlácido
    2016
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788584253258
    Português Brasileiro

    Neste livro, temáticas centrais da Hermenêutica fenomenológica foram tratadas em estilo que privilegia a circularidade da exposição para tornar esta mais acessível sem prejuízo da profundidade, mesmo em se tratando de questões complexas como pressuposição hermenêutica, medianidade e juiz autêntico, sob orientação da poiesis em busca da justiça. Trata-se de estudo inovador e progressista na área da Hermenêutica em diálogo com o Direito e a Literatura.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho19/02/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Em uma abordagem que junta e permeia por diferentes disciplinas, a obra "Um Diálogo da Hermenêutica com a Literatura: em busca da justiça" tem como mote aquilo que consta em seu título, estabelecendo uma proposta interdisciplinar que une o direito com a literatura a partir de um eixo hermenêutico, tendo-se assim uma abordagem jusliterária bem estabelecida que possibilita amplas abordagens temáticas. A hermenêutica fenomenológica é a base da qual parte a autora para incutir as reflexões tantas presentes na obra, tratando-se assim de um livro multitemático que dialoga com questões próprias do direito com uma visão mais abrangente com o auxílio da filosofia e da literatura. 15 são os capítulos que compreendem as 200 páginas do livro, tendo-se assim uma reunião de textos produzidos pela autora para dar corpo à obra. Dentre os temas tantos que constituem o diálogo intentado da hermenêutica com a literatura (com enfoque em questões de cunho jurídico), menciona-se aqui o papel da literatura na reflexão sobre temas de hermenêutica (onde a autora argumenta que a literatura, para aquele que estuda o direito, representa "aquele achado capaz de retirá-lo da literalidade e despertá-lo para a razão de ser do seu mister"), a comunicação entre saberes (aduzindo a autora que a complexidade da existência impõe a comunicação entre diversos saberes, incluindo aí os científicos, os não científicos e aqueles de instâncias criadoras em que a literatura se situa) e o comunicado da literatura na hermenêutica jurídica (pontuando a autora que nas atividades jurídicas há uma distinção do profissional que se vale da literatura ao considerar que esse possui "abertura para o outro, porque teve oportunidade de escutar uma voz que fala do ser humano de modo pleno"). Maria Helena Damasceno e Silva Mengale oferece nesse livro exatamente aquilo que consta na nota da orelha, a saber, temas da hermenêutica filosófica que são tratadas "em estilo que privilegia a circularidade da exposição para tornar esta mais acessível sem prejuízo da profundidade", tratando-se assim de uma atenciosa contribuição para o diálogo entre direto e literatura. Feitas essas considerações gerais sobre a obra, registro aqui por fim um ponto de resistência quanto a um dos argumentos da autora: quando é tratada a hierarquização dos saberes como sendo uma espécie de preconceito, a autora elenca a fé, a crença, como uma forma de saber válido, tendo por base a moral cristã que é corroborada por passagens bíblicas. Vejo que essas partes (presentes em algumas passagens de alguns capítulos) destoam do trabalho, pois por mais seja a religião uma forma de saber, a forma com a qual esse é articulado com as outras formas exaspera o campo em que se situa. De todo modo, por mais refutadas mereçam ser essas tentativas de aproximação, isso não macula a obra que permanece como válida e convidativa para todos que pretendam ter contato com um bom diálogo entre direito e literatura.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3 / 1
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas100%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%