NÃO, CINDY! GAROTAS NÃO QUEREM APENAS SE DIVERTIR.
Na minha vida, eu já li muitos livros biográficos e de história norte-americana, bem como assisti a filmes e seriados de tv que falavam sobre o famoso clã dos Kennedys, a “dinastia americana”, e uma coisa que esse livro, “Eunice: The Kennedy Who Changed the World”, de Eileen McNamara, publicado em 2018 me fez perceber, foi que eu realmente não sabia quase nada sobre a vida das mulheres dessa família. A única de quem mais ouvimos e lemos, apesar dos anos de exclusão do clã, foi sobre a vida de Rosemary Kennedy, a primeira filha mulher de Joseph e Rose Kennedy, que foi diagnosticada com retardamento mental, e passou por uma catastrófica lobotomia quando jovem adulta, que a deixou praticamente incapacitada de falar pelo resto de sua vida. Mas fora isso, o que sempre ouvimos, incluindo o que lemos nos livros do meu escritor favorito, Stephen King, são relatos voltados ao ilustre 35º presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy (Jack), e seus irmãos, Robert Francis Kennedy (Bobby) e Edward Moore Kennedy (Ted), que fizeram suas brilhantes carreiras na política, muito bem instruídos pelo ambicioso patriarca do clã, Joseph Patrick Kennedy. Geralmente outro nome feminino, além de Rosemary, muito citado é o de Jacqueline Lee Bouvier Kennedy-Onassis, que antes de se casar com o magnata grego Aristóteles Onassis, foi a esposa corajosa e fiel que estava ao lado do marido John F. Kennedy, quando Jack foi assassinado em Dallas, em 22 de novembro de 1963. Um fato que marcou não apenas a família, mas toda a nação americana durante longos anos! Quanto as vidas de Eunice, Patricia, Kathleen e Jean, confesso que não sabia muita coisa, a não ser que Kathleen (Kick) também teve um final trágico como seus irmãos Joe Jr., Jack e Bobby, tendo sua vida encerrada prematuramente após um acidente aéreo. É a maldição dos Kennedys que assombra a família ainda nos tempos atuais! Eunice foi uma mulher que nasceu para romper com o estigma de que existem trabalhos feito para homens, e trabalhos feitos para mulheres. Na verdade, para o seu pai o lema era: “Men play, women pray”. Estamos falando de gerações passadas, onde a mulher administrava a casa e cuidava dos filhos, enquanto o homem era o provedor. Mas a verdade é que isso nunca foi suficiente para Eunice! Além de ativista, Eunice foi a precursora das Olimpíadas Especiais. A vida toda, ela lutou pelo direito de crianças com retardamento mental e deficiências para que pudessem ter a melhor vida possível, sendo estimuladas a tirar o máximo das suas habilidades. Seu esforço deu início a importantes estudos sobre as capacidades de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo de crianças com retardamento mental e deficiências, além daquelas portadoras da Síndrome de Down. As histórias de como esses bebês e crianças eram tratados, é mais assustadora do que a história mais assustadora do King! Seus esforços também se voltaram ao trabalho com delinquentes juvenis, atuando não apenas para melhoria dos ambientes onde permaneciam encarcerados, mas também para que lhes fossem ensinadas atividades que orientassem essas jovens (essas, porque na maior parte, seu trabalho era com mulheres) para que pudessem vislumbrar um futuro após cumprimento de sua sentença tanto no nível profissional, quanto no pessoal. O livro traz detalhes desses trabalhos, e confesso que fiquei extasiada com essas partes, porque Eunice foi uma mulher incansável! Sua voz nunca se calava, e não havia obstáculos para que ela se fizesse conhecer, pois acima de tudo, ela falava por suas causas, e nunca por si mesma. Uma curiosidade que desconhecia sobre Eunice é que ela considerou fazer os seus votos e devotar sua vida à Deus em um convento. Ela sempre foi grande devota de Nossa Senhora, e levou a sua fé para todos os lugares e pessoas que conheceu, e em todos os momentos que precisou. Especialmente nos momentos de tragédia na família. Depois de muito cansar o jovem apaixonado Sargent Shriver, Eunice acabou aceitando seu pedido de casamento, e durante os cinquenta e seis anos que passaram juntos, antes de sua morte, eles foram grandes companheiros, tendo trazido ao mundo cinco filhos, que assim como a mãe, foram educados para serem os melhores, com o adendo de que não importava se fosse homem ou mulher. Outro fato que é importantíssimo ressaltar sobre essa mulher incrível, é que Eunice passou a vida lutando contra problemas que abalavam sua saúde, sofrendo muito com fortes dores no estômago e perda de peso, mas nem isso a impedia de continuar. Nem o Alzheimer, que a acometeu no final da vida, parecia ser capaz de freá-la. Apesar de ser um livro riquíssimo, eu confesso que em alguns momentos, senti que Eunice ficava um pouco de lado, especialmente quando o relato se voltava para os irmãos ou para o marido. Bom... acho que não podemos culpar ninguém pelo carisma dos homens Kennedys, que tanto nos fascina! Mas no geral, confesso que foi um grande livro e de importantes lições. Deixo essa história com a sensação de que não podemos desanimar nunca. Que cada um de nós tem sua missão neste mundo, e que os obstáculos sempre surgirão para nos desanimar. Mas que com muita força (e fé, se você seguir algum preceito religioso) você poderá transpor tudo o que se colocar no seu caminho. Afinal, não há sucesso sem luta, não é mesmo? Obrigada, minha querida Eunice Kennedy Shriver por nos ensinar, com sua vida tão dedicada à grandes causas humanitárias. Por ter sido uma mulher de bravura, e que nunca se intimidou por ser mulher. Realmente você foi uma Kennedy que transformou o mundo!
