A eleição no recife - Conto Coleção Identidade

    Maurício Gomyde

    Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
    2018
    11 páginas
    22m
    ISBN-10: B07KYYQ4GL
    Português Brasileiro

    A eleição no recife é uma metáfora bem humorada sobre o processo eleitoral brasileiro. Num embate pelo controle do recife, inúmeros seres do fundo do mar se enfrentam num processo conturbado, com debates, comícios, trocas de acusações, dossiês e todos os ingredientes que fizeram desta última uma eleição única. "Havia muito a eleição no recife não era tão disputada. O então manda-chuva tubarão-branco tentava o quinto mandato consecutivo, ainda que a reeleição não fosse instituto aceito pelas leis vigentes no fundo do mar. Nenhum outro peixe jamais tivera coragem de levantar a inconstitucionalidade do princípio, muito menos de desafiar o tubarão nas urnas, notadamente por conta de seus 3.000 dentes e a forma truculenta com a qual costumava conduzir os pleitos, devorando quem ousasse registrar candidatura. Mas os tempos eram outros, e o tubarão, envelhecido e só com metade dos dentes ainda na boca, convencido pelos analistas políticos de que a abertura democrática era necessária, já não metia tanto medo. Daquela vez, a eleição seria decidida mesmo era no voto. As pesquisas traziam números disputados cabeça a cabeça, método que automaticamente excluía os bacalhaus da amostra. Na semana da eleição, o quadro era de empate técnico entre as três candidaturas. A primeira era a do partido governista, conservador, apoiada no lado abissal direito do recife, encabeçada pelo próprio tubarão-branco, e cujo vice era o tubarão-cabeça-chata, em escolha estratégica para angariar votos de peixes do Nordeste do recife. A segunda era a do partido comunista, enraizada na extrema esquerda radical do paredão, liderada pela sardinha e tendo como vice outra sardinha. Isso, em geral, confundia os eleitores sobre quem realmente era o cabeça da chapa. E a terceira era a do partido socialdemocrata, cujas plenárias aconteciam em cima do muro de corais, e vinha comandada pela ostra, tendo como vice o golfinho. Esta chapa estranha tinha potencial de angariar votos de peixes e não-peixes, pois atirava a rede pra tudo quanto era lado. (...)” Este conto faz parte da Coleção Identidade. Saiba mais em www.amazon.com.br/colecaoidentidade

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