Por muitos anos só conversava com meu pai sobre novelas, durante a infância e boa parte da adolescência foram, em sua maioria, diálogos sobre os papéis de Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Tarcísio Meira...enfim as novelas foram ficando ruins e a vida foi ficando mais atribulada.
Até que já com meus 20 e poucos anos ele trouxe alguns quadros do "Amigo da Onça" do quadrinista Péricles, tentei comentar o quanto amo ler, mas mesmo assim não surtiu vontade nele de partilhar do mesmo hobbie.
Hoje, conversamos sobre assuntos mais variados, mas isso não indica que somos bem próximos.
Thiago aborda sua relação com seu pai, que ganha destaque como "O Xerife", o patriarca que acaba por ser o grande protagonista da família, um homem reservado, um tanto autoritário, rígido, trabalhador e cinéfilo.
O laço para diálogos com o filho são os filmes, em especial sobre velho oeste.
A sinceridade da narrativa permite uma identificação imediata com o leitor, foi exatamente o que aconteceu comigo.
Nota-se que foi um trabalho pensado e serviu de alguma forma como uma saudação para o pai do autor, sem exageros, é um relato bem intimista que me prendeu do início ao fim.
Quanto a arte, será algo mais subjetivo, eu particularmente, curti bastante os traços do Thiago, é bem peculiar, o que é ótimo!
Fiquei bem satisfeita em ter apoiado esse projeto no Catarse!
Merece sua atenção!