"a vida pode ser dividida em três partes principais: “aquilo que foi, aquilo que é, aquilo que será. Destes, o tempo presente é curto, o futuro é duvidoso, o passado é certo”. Em que momento da vida você esta vivendo? Essa foi pra mim uma das maiores questões do livro, sou uma pessoa ansiosa em si, sempre penso no futuro, entretanto, cada vez mais venho aprendendo a viver o momento presente. Esse livro, é anacrônico, pode ter sido escrito a séculos atrás, mas ainda é pertinente e recente, vivemos numa época onde o tempo é mais luxuoso do que tudo, o ócio é visto como preguiça ou "folga" em um tom pejorativo, então a pergunta é, você dispõe tanto tempo ao outro, mas quando foi a última vez que você deu um tempo a si mesmo. O livro ele é pequeno, mas isso está longe de significar que ele é rápido, principalmente se você dialogar com o Sêneca.
"Dentre todos os homens, somente são ociosos os que estão disponíveis para a sabedoria; eles são os únicos a viver pois, não apenas administram bem sua vida, mas acrescentam-lhe toda a eternidade. Todos os anos que se passaram antes deles são somados aos seus. A menos que sejamos os maiores ingratos, aqueles fundadores das sublimes filosofias nasceram para nós e eles nos preparam o caminho para a vida. Graças aos seus esforços, conduzem-nos das trevas à luz, aos mais belos conhecimentos. Não nos é vedado o acesso a nenhum século, somos admitidos a todos; e se desejamos, pela grandeza da alma, ultrapassar os estreitos limites da fraqueza humana, há um vasto espaço de tempo a percorrer.
Poderemos discutir com Sócrates, duvidar com Carnéades, encontrar a paz com Epicuro, vencer a natureza humana com a ajuda dos estoicos, ultrapassá-la com os cínicos. Já que a Natureza nos permite entrar em comunhão com toda a eternidade, por que não nos desviarmos dessa estreita e curta passagem do tempo e nos entregarmos com todo nosso espírito àquilo que é ilimitado, eterno e partilhado com os melhores?" Nós vivemos um tempo, onde realmente podemos viajar no tempo, basta, se jogar entre ele. Eu enquanto estudante de psicologia não pude deixar de me encantar com esse livro e sobre muitas das passagens de Sêneca, e tem uma em si, que quero destacar. "Mas os homens que estão ocupados perdem isso; pois eles não têm tempo para olhar para o passado e, mesmo que devessem, não é agradável relembrar algo que devem ver com pesar. Estão, portanto, indispostos a dirigir seus pensamentos para trás a horas mal passadas, e aqueles cujos vícios se tornam óbvios se eles revêem o passado, mesmo os vícios que foram disfarçados sob alguma atração de prazer momentâneo, não têm a coragem de reverter para essas horas.
Ninguém voluntariamente volta seu pensamento para o passado, a menos que todos os seus atos tenham sido submetidos à censura de sua consciência, que nunca é enganada; aquele que tem ambiciosamente cobiçado, orgulhosamente desprezado, imprudentemente conquistado, traiçoeiramente traído, avidamente agarrado ou generosamente esbanjado, deve ter medo de sua própria memória. Ora, de nossa vida, esta é a parte inviolável e já consagrada, que está acima de todas as vicissitudes humanas, que foi subtraída ao império da Fortuna e que não pode ser afetada pela pobreza, nem pelo medo, nem pelo assédio das doenças. Não se pode perturbá- la ou roubá- la de seu possessor, pois sua posse é perpétua e livre de receios."
A vida é breve, ou mal vivida, como determinar se uma vida foi boa, ou não, isso, cada um faz o seu valor, sempre me lembro de Nietzsche e a lei do eterno retorno.