A obra trata de eventos do início do século VI e, embora a data de sua composição seja incerta, alguns estudiosos acreditam que ela foi escrita no século VIII. Embora originalmente sem título, o poema recebeu mais tarde o nome do herói escandinavo Beowulf, cujas façanhas e caráter fornecem seu tema de conexão. Não há evidências de um Beowulf histórico, mas alguns personagens, locais e eventos do poema podem ser verificados historicamente. O poema não apareceu impresso até 1815. Ele é preservado em um único manuscrito que data de cerca do ano 1000.
A ação do poema se passa na Dinamarca, onde o rei Hrothgar tem um esplêndido salão de hidromel conhecido como Heorot, um local de celebração e muita alegria. No entanto, o barulho alegre irrita Grendel, um monstro maligno que vive em um pântano próximo. Por 12 anos a criatura aterroriza Heorot com visitas noturnas nas quais ele carrega os guerreiros de Hrothgar e os devora. Depois de saber do problema dos dinamarqueses, o jovem Beowulf, um príncipe dos Geats no que hoje é o sul da Suécia, chega com um pequeno grupo de lacaios e se oferece para livrar Heorot de seu monstro.
O poema pertence metricamente, estilisticamente e tematicamente a uma tradição heroica fundamentada na religião e mitologia germânicas. Também faz parte da tradição mais ampla da poesia heroica. Muitos incidentes, como o arrancamento do braço do monstro e a descida do herói ao pântano, são motivos familiares do folclore. Os valores éticos são manifestamente o código germânico de lealdade ao chefe e tribo e vingança aos inimigos. No entanto, o poema é tão infundido com um espírito cristão que carece da fatalidade sombria de muitas das baladas eddaicas ou das sagas da literatura islandesa. O próprio Beowulf parece mais altruísta do que outros heróis germânicos ou os antigos heróis gregos da Ilíada. É significativo que suas três batalhas não sejam contra homens, o que implicaria a retaliação da rixa de sangue, mas contra monstros malignos, inimigos de toda a comunidade e da própria civilização. Muitos críticos viram o poema como uma alegoria cristã na qual Beowulf, o campeão da bondade e da luz, luta contra as forças do mal e das trevas.
A tradução para o inglês é a cabo do poeta ganhador do Nobel, e é magistral.