Poesia Pura -

    Binnie Kirshenbaum

    Record
    2002
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-14: ____8501058629
    Português Brasileiro

    Conheça Lila Moscowitz, uma poeta talentosa, sem medo de expor seus mais loucos desejos em seu trabalho, que entra em crise às vésperas de se 38º aniversário. Sem conseguir escrever, divide-se entre voltar para seu marido ou ficar com um novo amante. Uma decisão que irá fazê-la rever todos os seus conceitos e mudar sua vida para sempre.

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    Ladyce West25/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Voltei a um livro que li no finalzinho do ano passado, Poesia Pura de Binnie Kirshenbaum, [tradução de Lourdes Menegale], publicado no Brasil em 2002. Cansada da mesmice dos best-sellers, este livro mostrou-se bom antídoto para o tédio. Não se trata de obra prima merecedora de prêmio, mas uma distração inteligente, com uma heroína pronta para seduzir essa leitora. Lila Moscowitz é tipicamente nova-iorquina, com um pouco mais de trinta anos, grandessíssima mentirosa que ocasionalmente racionaliza suas fábulas: “é um daqueles casos em que uma mentira personifica uma verdade maior. Uma verdade metafórica, porque a verdade literal serviria apenas para distorcer a realidade…” [15]. Poeta de sucesso, sem pudor na linguagem ou no sexo, encontra-se permanentemente estressada, sem poder escrever uma linha satisfatória, desde que seu casamento com Max terminou. Angustiada com tarefas cotidianas e vida amorosa insossa, quer ser especial, como qualquer heroína de Woody Allen ou Almodóvar e um pouco das mulheres de Sex and the City. Lila passa os dias pensando no casamento falido. Enquanto isso aproveitamos de pequenas e deliciosas reflexões cotidianas, em passagens até mesmo prosaicas, como uma visita a um hospital, que valem ser ressaltadas. “É cruel, pensei, levar flores para pessoas que estão morrendo. É como se você estivesse apressando o funeral. Sem falar em esfregar no nariz deles a fragilidade da vida. Uma lembrança brutal de como uma coisa suave e fresca torna-se marrom nas bordas, o perfume se transforma em mau cheiro, tudo numa questão de dias. Os moribundos não precisam ter isso num vaso na mesa-de-cabeceira”[76]. Lila não quer a vida comum, porque ela é só “para os que não fazem questão do melhor.” Procura desesperadamente sentir-se especial, e aí está a fonte do desespero e a prisão em que se encontra. Definitivamente uma mulher contemporânea, que se imagina merecedora de muito mais do que o que consegue, vive correndo de lugar em lugar, de pessoa em pessoa, em círculo com assustadora velocidade, à procura do que parece inatingível: felicidade e satisfação consigo mesma. Lila é adorável na sua franqueza, mas às vezes cruel. Inteligente, ela mostra a desconcertante procura por uma felicidade inatingível. Talvez seja o humor a característica mais encantadora deste livro, quer nas observações do dia a dia, quer nas justificativas que Lila encontra ou fabrica para si mesma, um sorriso é inescapável do leitor atento. Encontrei-me frequentemente suspendendo a leitura para poder refletir sobre o que acabara de ler, com a sensação de surpresa e diversão sobre o ponto de vista adotado. Fora isso, Poesia Pura é um livro sem maiores ambições, cuja grande virtude está no entretenimento inteligente.

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