O fenômeno da violência de gênero tem atraído crescente interesse na sociologia e nas áreas de conhecimento afins, assim como expressiva visibilidade social. Heleieth Saffioti e Suely Almeida contribuem de modo fecundo neste processo. Elas capturam o fenômeno da violência de gênero como expressão particular do fenômeno global, em que se interpenetram relações de gênero, classe social e raça/etnia. A violência de gênero não deriva imediatamente da violência geral. Ao contrário, é mediatizada especialmente pela “gramática sexual” que rege as relações sociais entre homens e mulheres. O texto, de leitura agradável embora densa, permite a aproximação dos indicadores necessários à compreensão do fenômeno - nas suas expressões gerais, particulares e singulares - e instiga à reflexão e à análise da vida cotidiana. Heleieth e Suely conseguem criar condições para que o leitor aprenda, dialeticamente, o ser no mundo, o existir em sociedade, envolvendo-o no movimento em que se imbricam dimensões teóricas e práticas. A parceria que resultou neste belo trabalho só foi possível porque fruto do convívio em atividades acadêmicas, onde a pesquisa se apresentou como fomentadora de novos conhecimentos e propositora de ações concretas e objetivas. Esta colaboração teve início em 1986, quando Suely defendeu sua dissertação de mestrado na UFRJ, tendo tido Heleieth como uma de suas examinadoras. Atualmente trabalham juntas na UFRJ e Heleieth orienta o Doutorado de Suely na PUC-SP. Lutaram para criar o GECEM/NIPAS, O primeiro no interior da UFRJ e o segundo uma ONG que, dentre outras atividades, ministrou um curso sobre relações de gênero, focalizando especificamente a violência contra a mulher, para comandantes e sub-comandantes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Depois de haverem, Heleieth e Suely, publicado vários artigos elaborados conjuntamente, brindam agora o público brasileiro com este trabalho que nos oferece dados e análises fundamentais ao entendimento do fenômeno da violência de género. Lilia Guimarães Pougy
Violência de gênero - Poder e impotência
Heleieth Saffioti, Suely Souza de Almeida
Edições (1)
Ver maisA mulher e o seu ato de resistência.
O livro trata-se de um estudo que tem como base a investigação da violência contra mulher, baseado no poder exercido sobre o homem. O início do livro apresenta dados, estatísticas e pode ser cansativo esse começo. Ressalto que este livro é do ano de 1995, onde já falávamos em violência contra mulher. O que me causa muita aflição, pensar que o número de violência contra meninas e mulheres ao longo desses anos aumentou de forma exponencial. A autora cita por exemplo em um programa de atendimento a menores que dentre 50 meninas, 32 % relataram casos de estupros. Em uma pesquisa do ano de 2022, os casos de violência contra meninas corresponde a 87,7 % dos casos de estupros. Em um capítulo, a autora coloca o relato de mulheres que sofreram com violência, são relatos que parecem que te acertam com um soco no estômago, nenhuma mulher deveria viver nenhum tipo de violência. No primeiro relato, o homem bate na mulher, um tapa e ela acaba tropeçando e derrubando o ventilador, acaba se cortando, o cara é médico, não ajudou ela a tratar dos cortes, aí ela diz: “A dor provocada por está crueldade na alma de Luísa foi muito aguda.” Essa pesquisa foi feita antes de 1995, lendo agora em 2024 e ficando triste por uma mulher que foi vítima de violência. “A covardia é companheira inseparável da violência.” No terceiro relato de violência, a autora mostrou uma outra faceta da violência, nesse caso a mulher não sofreu uma violência física, o ex marido infernizava a vida da mulher, principalmente no seu trabalho, também cita um relato em que a polícia simplesmente não faz nada quando ele invade a sua casa. Assim, como citam q forma que a mulher é tratada ao se dirigir a delegacia para relatar que sofreu uma violência física. E como eram humilhadas, maltratadas. Os delegados faziam chacota, mandavam de volta pra casa por ser apenas uma “briguinha de casal” isso nos anos 90. Algo de positivo (pelo menos) ao longo dos anos, foi a criação de delegacias voltadas para a violência doméstica e a forma com a mulher vítima é tratada nessas casos. Ainda existe delegados com mentalidades assim, mas o acolhimento da vítima melhorou. Importante falar que a violência não está condicionada a física e que pode ser verbal, psicológica, patrimonial. Ser mulher é isso? Carregar esse medo de que talvez a pessoa com quem você vai se relacionar pode cometer alguma violência. “Nenhuma das três foi vítima. Todas elas lutaram, cada uma a seu modo, contra violência masculina. Quantas lutas semelhantes serão necessárias para o estabelecimento de relações pares entre homens e mulheres?”.
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