Então com 60 anos e já denominada a grande dama do teatro brasileiro, Fernanda mostra nessa biografia como se divide entre a atriz e a mãe, a esposa e dona de casa e a formadora de opinião, que foi convidada para ser Ministra da cultura pelo então presidente José Sarney em 1985. Nesse livro, Arlette Pinheiro e Fernanda Montenegro se dividem num relato bonito de suas jornadas para a jornalista Lucia Rito.
Ela fala principalmente do teatro - sua grande paixão - mas também fala do cinema e da tv (não o tanto que eu gostaria - risos - tendo em vista que nunca pude acompanhar Fernanda no teatro, todas as minhas referências dela vem do cinema e principalmente da tv).
Era maio de 1997, eu ainda não tinha completado 5 anos, mas Fernanda Montenegro e Rita Lee se fizeram presente em minha vida de uma maneira afetiva que guardo essa recordação até hoje: Fernanda montada em um 14bis voando pelo Rio de Janeiro, embalada pela música Dona Doida cantada por Rita Lee na abertura de Zazá, novela de Lauro César Muniz. Não lembro da história, nem tanto dos personagens, mas lembro com afetividade da abertura. Acho que foi ali que conheci Fernanda Montenegro.
Fernanda Montenegro foi a primeira atriz contratada da recém-inaugurada TV Tupi, a primeira emissora de televisão do país.
Uma carreira longeva que dura até hoje.
Sempre defensora da cultura, da artes, Fernanda enfrentou a ditadura militar, as censuras as repressões, o medo, passou por um período mais ameno durante o governo Sarney e a criação da Lei de Incentivo a Cultura (a temida e não entendida Lei Rouanet), viu a cultura ruir durante o governo Collor e viu o cinema reacender com Central do Brasil que ela protagonizou e com ele recebeu sua indicação ao Oscar. Viu a sociedade se virar contra a classe artística em 2013 juntamente com o ódio ao PT, a Lei Rouanet e a ascenção da classe C. Já com quase 90 anos, Fernanda presenciou outro momento triste para a cultura do país, a vitória do fascista Jair Bolsonaro em 2019.
"Pobre do país cujo governo despreza, hostiliza e fere seus artistas"
Como diz Caetano Veloso: "Civilizada e Civilizadora" um viva a dona Fernanda!