Amanda precisa fugir. Os guardas da Força Pública estão em seu encalço e ela não quer perder sua adorada liberdade. Para não ser presa, precisará pedir auxílio a Lurdes, uma antiga amiga de sua falecida mãe, e terá que trabalhar na casa do Conde de Castro. Seus planos parecem simples: fingir ser uma dama doce e inocente, ficar escondida tempo suficiente para que o delegado a esqueça e afanar as joias da casa — sua especialidade — para ir para bem longe dali. Mas a jovem ladra não esperava esbarrar com o segredo de Leon e ser desafiada por mistérios além de sua compreensão, que podem mudar todos seus planos.
Desejo e Honra -
Tatiane Durães
Amanda, uma ladra em fuga!
Nossa trama já começa assim, com a protagonista saltando pela janela, fugindo dos guardas da Força Pública após a traição de se companheiro. Amanda é uma ladra, ladra de oficio, muito bem treinada pelo seu pai prática pequenos e grandes furtos encomendados ou não, num Brasil de 1890, Minas Gerais, pós proclamação da República e processo de abolição completa da escravatura. A princípio a trama se desenrola a partir dessa fuga da protagonista, onde ela precisa cobrar um favor de uma antiga amiga de sua falecida mãe, para que possa se abrigar em um local seguro antes de fugir definitivamente para São Paulo, livrando-se aí de uma possível condenação a forca. Acontece que essa amiga, Lurdes, mora na fazenda do Conde de Castro, onde vive também o filho Leon, jovem viúvo um tanto misterioso. Amanda então, com seu foco atrapalhado, se vê presa pelo mistério que ronda aquela casa, onde coisas muito estranhas começam a acontecer, e aparentemente somente ela os vê. Então é aí, junto dessas visões estranhas que Amanda acaba reparando que Leon é um homem bem interessante, logo, além da curiosidade pelo mistério e sobrenatural que envolve a residência, o coração e os sentimentos também começam a lhe dificultar a partida. Esse não é um típico Romance de Época, e isso para mim foi o mais surpreendente. Por romance de época nós já esperamos um romance conturbado, com uma protagonista a frente de sua época, mas aqui nós temos um romance doce, com uma protagonista sim a frente de sua época, que age sem falsos moralismos e sabe conduzir e argumentar esse pensamento liberal sem entrar em conflito com as outras mulheres, ela procura não julgar as companheiros por essa reprodução do machismo, e da opressão do patriarcado muito presente na época. Como é ambientado no Brasil, bem em seguida do projeto de lei que extinguia a escravidão, a autora precisou usar esse triste elemento na obra, a fim da veracidade de fatos. E ficou bem adequado, já que mesmo na fazenda (que é onde a maior parte da trama se desenrola) o senhor fosse um abolicionista, fica claro que os negros não tiveram apenas benefícios após essa lei como se romantiza em algumas obras. O conjunto de pesquisas da autora me agrada, tudo é bem contextualizado e adequado a época. A obra me cativou, me prendeu a atenção e me convenceu, mesmo utilizando do sobrenatural me passou veracidade. A escrita da autora está fluida e agradável. Leitura que pode ser feita em um dia.
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