Folhei algumas páginas; parei em alguns trechos (fiz uma leitura horizontal, ou seja, rápida e rasteira, superficial mesmo) e percebi que as considerações oriundas das pesquisas apontam para anseios atualíssimos de educadores, pedagogos e docentes. A metodologia pouco variou de lá (década de 1970) para cá (quase meio século depois!). Não sejamos injustos: houve alguma melhoria no ensino, sim, mas mínima. Que não implica, em termos gerais, expressivos, em uma efetiva evolução da educação no Brasil.
Cheguei a essa joia (vendida a bom preço na Estante Virtual) por conta de um ensaio do Professor Doutor Carlos Cagliari, conforme pesquisas que fiz na Scielo sobre alfabetização e letramento.
Na capa de rosto consta um símbolo ancorado por um texto verbal que afirma o seguinte: "1990: Ano Internacional da Alfabetização". Páginas levemente amareladas (o tempo é cruel!), com um ou outro sinal (discretíssimo e específico) de oxidação (tá ok, isso não faz parte de uma resenha, claro, admito isso...), principalmente na página de rosto. Mas... que diabos tem isso a ver com uma resenha do conteúdo do livro em si? A explicação para isso é de cunho subjetivo. Quem me conhece sabe que eu não faço resenhas centradas unicamente no conteúdo, mas na relação dele com outros aspectos externos, quiçá periféricos. É como vejo o todo, o conjunto em si. Voltando à explanação acerca da ação temporal sobre o livro e o conteúdo... Será que eu me faria entender se empregasse aqui as palavras chave "arqueologia (do saber)" e "garimpo (cultural)"? A educação brasileira envelhece sem ter tido a chance de passar plenamente pela infância, adolescência e fase adulta. É como que se a tivessem privado de sê-la (educação propriamente dita, lato sensu e stricto sensu). Ponto negativo do livro, então? Jamais. De modo algum. O livro, muito pelo contrário, é um apontamento sério. Discordei de alguns métodos (sou professore de português), que, mediante a horizontalidade de minha leitura, me pareceu perpetuar aquela didática obsoleta de memorizar informação e tê-la na ponta da língua. Mas declaro que isso é mera impressão minha, só isso. Cumpre que eu leia esse tesouro (sem ironia alguma) para fazer um juízo mais justo (perdoem o aparente pleonasmo, sim?) desse resultado de esforços e pesquisas docentes.
Altamente recomendável para estudantes de História/Filosofia da Educação, Pedagogia e Didática. Ah, sim: e ao pessoal de Letras, uma das áreas em que me (re)formei.