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    Paulo: uma biografia -

    N. T. Wright

    Thomas Nelson
    2019
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-13: 9788566997729
    Português Brasileiro
    4.3
    140 avaliações
    Leram213Lendo89Querem401Relendo1Abandonos17Resenhas26
    Favoritos13Desejados401Avaliaram140

    “Esta cativante reconstrução da vida e do pensamento de Paulo, escrita com excelência por um dos estudiosos paulinos mais influentes da atualidade, traz à tona o mundo romano antigo em todos os detalhes: sociais, históricos e culturais. Nesta biografia definitiva, N. T. Wright oferece uma visão fascinante da história de Paulo, levando-nos a caminhar ao lado do apóstolo, observando, aprendendo, sofrendo e vibrando com ele. O autor nos guia pelas jornadas fascinantes do antigo perseguidor de cristãos, cidade após cidade, onde pregou a mensagem revolucionária do evangelho da salvação e deixou ali um legado cujas reverberações são visíveis até hoje. Em Paulo: uma biografia, N. T. Wright não nos apresenta o retrato de um teólogo impassível ou de um evangelista implacável, mas a história de um personagem complexo, multifacetado e que pode, sem dúvidas, ser considerado um dos maiores líderes da história da humanidade.”

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    Gabriel Matos picture
    Gabriel Matos15/04/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Certa vez um amigo me disse que se N.T. Wright estivesse certo sobre as mais recentes descobertas arqueológicas, literárias e contextuais da vida de Paulo, estaríamos diante de um reformador da teologia protestante. Dentro daquilo que chamam de NPP ou Nova Perspectiva de Paulo, existem autores mais liberais, mas N.T. Wright sem dúvida é o mais ortodoxo deles. Livros têm sido escritos contra a NPP, alguns com razão, por causa de liberais que dizem que Paulo estava equivocado sobre questões judaicas e políticas do seu tempo e outros sem razão, por bater em espantalhos. Wright consegue frustrar seus críticos nesse livro, pois ataca fortemente a visão cristã mais moderna de nuances individualistas e capitalistas do evangelho, rechaça o liberal socialista que quer desconstruir as narrativas Bíblia e também revela as bases gregas e medievais da fé reformada demonstrando que está mais para o escolasticismo do que a fé cristã primitiva. A Biografia de Paulo é um livro que busca entender o que o apóstolo pensava, no que trabalhava, o que o motivava e o entristecia. Também encontrar a razão de tantas polêmicas, brigas, locais visitados, sofrimentos e decisões que soam estranhas para um leitor cristão moderno. Sua honestidade intelectual em reconhecer e diferenciar fatos comprovados das discussões que não passam de especulação é cativante. São aproximadamente 470 páginas que trazem uma overdose de contextualização, seja romana, grega, judaica e que, se essa biografia for lida com a Bíblia ao lado, torna o texto bíblico mais real do que já é. Com um texto muito bem escrito, irônico, acadêmico mas sem cair em tecnicismos, deixa ativado o senso de curiosidade o tempo todo. Sobre o impacto teológico desse livro, Wright demonstra que nossa forma de ler a Bíblia foi deslocada para o futuro, para o “post mortem”, para a escatologia, especialmente por causa da influência medieval. Essa gravidade que puxa nossa teologia para temas futuristas, faz perder a noção de Reino de Deus para o aqui e o agora que era o foco da pregação antiga. N.T. Wright diz que a visão mais exclusivista de salvação da alma retira o poder do evangelho e faz que os cristãos não vivam a obra da cruz por completo. O livro começa explicando alguns conceitos judaicos necessários para entender Paulo. Começando pelo significado do Templo, que era considerado o local de ligação do céu com a terra. Se o homem é o templo do Espírito Santo, a “nova criatura” é o local de ligação do céu com a terra. Essa singularidade iria, pelos méritos de Cristo naquela Cruz, fazer da humanidade co-criadora de uma nova criação, um novo Reino que “já é e ainda não foi” que conservava a noção de santidade judaica, mas viveria no poder do Espírito para denunciar os erros morais, sociais e a decadência generalizada que existe na criação por causa do pecado original. A cruz religa o homem com Deus e ao ter Cristo em nós, o céu e a terra podem enfim, também ser religados. Cabe ressaltar que não falo de judaísmo messiânico nem questões judaizantes, mas de um cristianismo que emerge desse contexto. A “Justificação pela fé” apesar de não negar a noção medieval e mais individualista de um tribunal romano, onde é “decretado” a justiça de Deus diante de alguém que se converte e reconhece pela fé que Jesus é o Senhor, Wright argumenta os reformadores que entendiam dessa forma, limitaram o conceito. A justificação então - que descende do judaísmo - estaria mais para uma adoção, uma aliança que faz a pessoa entrar na comunhão (koinonia) de uma nova família sem diferenças de gênero, raça, povo, condição financeira ou qualquer outra limitação, mas Cristo sendo tudo em toda a diversidade humana. A salvação inicialmente é soteriológica, perpassa a eclesiologia e finaliza na cosmologia. A conversão não seria uma mera alteração metafísica do homem, mas um chamado para participar integralmente dessa comunhão com Cristo e seu corpo. Portanto, já que o grego “pistis” pode ser traduzido por fé e também por fidelidade no sentido de zêlo, a participação das boas obras de santificação e do desenvolvimento dessa nova criação nos faria justificados pela fidelidade de Cristo em nós. Isso permaneceria sendo monérgico quanto à fonte divina, mas que seria evidenciado por essa nova forma de viver. O problema é que essas subcategorias teóricas complicam, pois a religião primitiva não era exatamente uma crença, mas um modo de vida. Isso relativizaria e retiraria o propósito das intermináveis discussões escolásticas da predestinação, escatologias de reinos milenares, etc. É um livro que sem dúvida irá causar sérias reviravoltas nas sua forma de compreender Paulo e seus escritos. A minha sensação é que ou esse livro veio para mudar para sempre coisas que antes estavam despercebidas, ou ele é um tremendo fanfarrão. Porém fico na expectativa do meu amigo, que posso estar diante de um novo reformador da fé Cristã.

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    4.3 / 140
    • 5 estrelas47%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    N. T. Wright profile picture

    N. T. Wright

    N. T. Wright é um dos mais conhecidos e respeitados estudiosos do Novo Testamento da atualidade. Bispo anglicano de Durham, na Inglaterra, foi professor das universidades de Cambridge e Oxford por vinte anos e é professor visitante de universidades como Harvard Divinity School, nos Estados Unidos, Universidade Hebraica de Jerusalém e Universidade Gregoriana em Roma, entre outras. É autor de mais de quarenta livros e articulista de jornais como The Times, The Independent e The Guardian.

    60 Livros
    69 Seguidores
    Northumberland, United Kingdom

    N. T. Wright