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    O Marquês de Pombal e sua Época -

    João Lúcio de Azevedo

    Alameda
    2004
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-10: 859832504X
    Português Brasileiro
    4.3
    3 avaliações
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    Favoritos0Desejados25Avaliaram3

    Após fazer algumas breves referências à vida do marquês, desde o seu nascimento em 1699, João Lúcio compõe sua narrativa segundo os grandes tópicos que representam as etapas mais significativas da vida de Pombal. O livro se estende assim desde A Embaixada de Londres, iniciada em outubro de 1738, até o capitulo intitulado O Acabar, que se encerra com a morte do Marquês de Pombal, no dia 8 de agosto de 1782. Numa cuidadosa edição, este clássico desvenda intrigas palacianas, casos amorosos da corte portugue-sa e jogos diplomáticos que definiam o tabuleiro do poder da Europa e da América portuguesa – ou seja, o Brasil – à época do Iluminismo. Referência obrigatória para quem se interessa pelo marquês e pelo período, esta biografia reaparece nas prateleiras das livrarias brasileiras depois de mais de 80 anos. “Esta obra se destaca nitidamente no cenário das visões exacerbadas, pró ou contra, a respeito do governo pombalino, pois representa uma tentativa séria de proceder ao balanço documentado e imparcial do que foi efetivamente a época pombalina”, escreve o historiador brasileiro Francisco José Calazans Falcon, autor de outro livro fundamental sobre sobre Pombal.

    Resenhas (1)Ver mais
    gabriel picture
    gabriel30/05/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Não é ruim, mas é penoso pra ler

    Não quero que esta resenha pareça um chororô gratuito sobre uma leitura difícil qualquer (apesar de que talvez seja isso mesmo). Não é um livro ruim e a pesquisa parece ser muito séria e detalhada. Mas o Skoob é um site para leitores e não para historiadores, então a nota tenta refletir um pouco a qualidade da pesquisa e a péssima redação que o seu autor emprega. É um livro de 1909 e isso fica claro a todo momento, a redação é abafada, cheia de pedantismos irrelevantes e arroubos poéticos de dar arrepio à alma (e isto não no bom sentido). A redação é muito, muito arrastada, já li coisas arrastadas mas essa rivaliza com elas. É um livro bem desagradável de ler, e o fato de o autor ser português não ajuda muito (pelo menos a mim, que sou brasileiro). O livro é carregado de uma "entonação lusitana" bem pronunciada. Pois bem, mas ao material: é uma pesquisa longa, detalhada, sobre tudo o que envolvia o Marquês de Pombal e... bem, sua época (como o título já diz). Só achei que o "sua época" ficou meio de fora, isso não é muito abordado, e é difícil entender muito bem o contexto da época, que é pobremente explicado ao longo da obra. Na parte sobre o Marquês mesmo, o texto se apega a documentos e despachos do mesmo, e de outros personagens da época (políticos, diplomatas, etc), o que torna o livro bem entediante, ainda que detalhado. De toda a forma achei a leitura bem proveitosa e interessante. Coisas que aprendi no livro: o século 18 é muito mais movimentado do que imaginamos (obras publicadas e correspondências causam grandes abalos e polêmicas, o que em época de twitter e instagram a gente nem imagina; de alguma maneira a gente sempre imagina algo "pré-histórico" e não vivo, com paralelos no presente). Anedotas de jesuítas se masturbando na calada da noite; que o Marquês terminou a vida chutado por todos e coçando suas sarnas, depois de ter sido um dos homens mais poderosos de Portugal; etc etc. O Marquês foi muito mais sanguinário do que imaginei. Várias repressões a inimigos e até à população, em processos sem julgamento apropriado e com penas duríssimas (incluindo torturas e mortes bem gráficas, pra dizer o mínimo). O cara era um ditador. Até onde entendi, o livro se insere num contexto de revisão do papel do Marquês, que foi detonado e praticamente esquecido após sua morte (depois dos seus inimigos quase que literalmente chutarem o seu cadáver), depois revisitado pela historiografia em tom elogiador, para aí vir este livro e retomar o equilíbrio. Então é algo que tem valor neste sentido e ajuda a dar uma visão mais precisa do seu período. Um problema grande do livro é o fato de ele falar de coisas e pessoas como se você já soubesse delas de antemão. A não ser que você tenha do lado toda a genealogia da Europa e da nobreza da época, você fica sem entender quem é quem. Ele não fala, "o rei da Espanha", ele fala o nome do cara. E assim para todos os envolvidos. Fica difícil acompanhar (e bem chato). É um livro bom para embalar o sono, se você sofre de insônia, recomendo muito o livro. Eu literalmente dormi depois de ler alguns parágrafos, e não é ironia, eu realmente dormi, o que na verdade foi bom. O livro fala muito pouco do Brasil, o que me decepcionou. É praticamente um livro só sobre Portugal e a Europa. Pombal só proíbe os jesuítas lá pelo final, o que me decepcionou também, pois na verdade é isso que eu queria ver. Foi uma leitura que ajudou a entender melhor porque os jesuítas eram tão odiados por ele, praticamente eles foram o "bode expiatório" pra todas as cagadas que Portugal fez nos últimos 200 anos. Uma passagem engraçada é quando Napoleão marcha por Portugal (já muitos anos depois) e revira os ossos do Marquês de Pombal. Os caras reviram o túmulo e espalham tudo. Segundo o autor do livro, uma "mão piedosa" foi lá e juntou tudo depois. Triste destino para o ex-ministro. Os parentes do Marquês e seus desafetos tudo se casam depois, misturando o sangue das famílias rivais, o que termina o livro num tom irônico e amargo (muito bem-vindo aliás). E, por fim, o livro tem uma mania irritante que é se referir ao Marquês como "Carvalho". É toda hora "Carvalho isso, Carvalho aquilo", é só uma reclamação meio boba, mas é algo que incomoda muito. Carvalho é um nome muito feio (me desculpa se você se chama Carvalho). A preocupação com a redação ou com questões narrativas é zero no livro, ele é praticamente um amontoado mais ou menos organizado das pesquisas que o seu autor fez, não é exatamente ruim mas é um parto pra ler. Por conta da pesquisa muito bem elaborada (não sou historiador, mas pareceu), vale nota 4. Por conta da redação ruim e extremamente pedante, eu daria um 2 sem qualquer problema. Então uma média 3 acho uma boa nota. O prefácio é muito bom, escrito nesta edição de 2010. Pelo que entendi, parece que este livro é reeditado bastante vezes em Portugal e no Brasil. O prefaciador explica muito bem o contexto do livro e algumas das passagens que foram revisadas pela historiografia mais recente. Muito útil. Enfim, fiquei satisfeito com a leitura, aprendi mais sobre o período que me interessava, mas a leitura em si foi um saco, arrastei ela por praticamente uns dois meses, o que é sempre ruim de ocorrer. Mesmo assim valeu.

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    João Lúcio de Azevedo profile picture

    João Lúcio de Azevedo

    João Lúcio de Azevedo foi um historiador português. Aos 18 anos, embarcou para Belém do Pará, onde se tornou caixeiro de uma grande livraria, a qual viria a dirigir ao se casar com a filha do proprietário. Autodidata, aprendeu várias línguas e começou a escrever as suas primeiras obras

    5 Livros
    0 Seguidor

    João Lúcio de Azevedo