A Guerra dos Farrapos -

    Alcy Cheuiche

    AGE-Habitasul
    1984
    198 páginas
    6h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Edição Comemorativa ao Sesquicentenário da Revolução Farroupilha. "A Guerra dos Farrapos" é uma narrativa romanceada dos principais acontecimentos da revolução republicana que sacudiu o Rio Grande do Sul e empolgou o Brasil na primeira metade do século passado. Mais exatamente sua ação decorre no conturbado período de 1835 a 1845, em que o Brasil, recém liberto da tutela portuguesa, buscava seu caminho político-social como nação independente. Todos os personagens deste romance são reais. O autor mergulhou profundamente no passado para retratá-los com exatidão. Bento Gonçalves, Gomes Jardim e Isabel Leonor, Garibaldi e Anita, Silva Tavares, o Barão e futuro Duque de Caxias, farroupilhas e caramurus ressurgem aos olhos do leitor como pessoas vivas e atuantes. Não como bonecos de cera inflados por adjetivos heróicos. E sim, como homens e mulheres, idealistas e sonhadores, ambiciosos e cruéis, amando e odiando com a intensidae de quem faz parte do gênero humano.

    Resenhas (2)Ver mais
    Danton K picture
    Danton K26/11/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Alcy Cheuiche conduz o leitor a uma viagem ao tempo, recontando episódios marcantes do “decênio heroico” com diálogos fictícios entre personagens reais. O ponto de partido é a Ponte da Azenha, “umbigo da Guerra dos Farrapos”, como o autor define, local da primeira batalha entre farroupilhas e caramurus. O narrador observa a ponte dos dias atuais, a servir de ligação para o trânsito de automóveis e veículos pesados, e, num processo de “descongelamento do tempo”, é levado para a noite de 19 de setembro de 1835. Afinal — o próprio autor justifica —, seria uma leviandade julgar os homens daquela época com os olhos de hoje, sendo necessário, portanto, mergulhar de cabeça no tempo. A partir de então, Cheuiche destrincha os principais episódios do conflito, proporcionando ao leitor uma visão íntima dos principais personagens da época. Começa com a invasão de Porto Alegre pelos revolucionários e passa pela proclamação da República Rio-Grandense, seguindo pelo relato da fuga de Bento Gonçalves da Fortaleza do Mar, na Bahia, a marcha de Garibaldi em Santa Catarina, o duelo entre Bento Gonçalves e Onofre Pires — que feriu mortalmente o segundo — e, por fim, a assinatura do tratado de Ponche Verde, que pôs fim ao conflito. Para quem conhece pouco sobre o episódio histórico em questão, trata-se de uma oportunidade de compreender as causas que levaram à revolta contra o império — o que, obviamente, irá depender da interpretação do autor. No encontro em que tenta atrair o amigo e compadre Silva Tavares para a revolução, Bento Gonçalves nega que os farroupilhas quisessem a separação do Brasil. O desejo do movimento, alega, era uma maior autonomia administrativa. Ele cita como exemplo o imposto sobre o charque. “Em tudo pagamos o duplo do dízimo, como se nos quisessem castigar”, explica o líder farrapo. A localização geográfica do Rio Grande do Sul também é ressaltada, enquanto Bento alega que “nenhuma outra província pagou tão caro para manter as fronteiras do Império”. “Desde a construção do forte do Rio Grande, há quase um século, os rio-grandenses mal tiveram tempo de cuidar do gado, de lavrar a terra. Nosso povo está merecedor de paz e de justiça”, afirma o líder farroupilha. A origem de termos que hoje fazem parte do nosso vocabulário também é revisitada por Cheiuche. Oitenta anos após a invasão das Missões, os guaranis já haviam perdido toda e qualquer identidade cultural. As moças, devido aos traços orientais, eram chamadas de “chinas” e usadas desde a puberdade como prostitutas sem salário. Os filhos delas eram chamados pelos brancos de “gaúchos”, quase um sinônimo para bastardo, considerados então a escória da província. Estes homens, que cresceram tropeando gado chucro e guerreando, “eram o povo verdadeiro do Rio Grande”, segundo o narrador. A obra de Cheuiche exalta os ideais farroupilhas, mas não de uma forma revanchista, fazendo jus a uma frase que ele destaca do Barão de Caxias, após a assinatura do tratado de paz: “Os que morreram nesta guerra eram todos irmãos”.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 25
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas12%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas8%