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    O quarto branco -

    Gabriela Aguerre

    Todavia
    2019
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788588808553
    Português Brasileiro
    3.7
    191 avaliações
    Leram242Lendo8Querem463Relendo0Abandonos9Resenhas20
    Favoritos9Desejados463Avaliaram191

    Numa escrita envolvente e delicada, feminina e firme, este romance de estreia é uma meditação vigorosa sobre memória e descendência. Gloria, uruguaia criada no Brasil, tem cerca de quarenta anos quando vê ruir todas as certezas de sua vida após sofrer um aborto espontâneo e descobrir que seu corpo não será mais capaz de gestar uma nova vida. Demitida do trabalho e com o pai hospitalizado, ela retorna ao Uruguai da sua infância em busca de respostas e de um pouco de paz. Lá, outros fantasmas estão à sua espera: a irmã gêmea que morreu com poucas semanas de vida mas cuja presença assombraria Gloria até sua vida adulta, e os ecos ainda presentes de um regime autoritário e violento que obrigou muitos uruguaios a buscar o exílio. Tudo isso é narrado com mão leve. Algumas passagens formam uma deliciosa crônica da saudade montevideana, outras fazem um inventário devastador do remorso e do declínio biológico. Um claro-escuro tão veraz quanto poético. Estreia de Gabriela Aguerre, O quarto branco vai da cólera ao regozijo, da nostalgia à vontade férrea.

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    Thiago picture
    Thiago02/04/2024Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    A tal da literatura "self"

    Recentemente li uma entrevista da Anna Kornbluh em que esta defende a tese da literatura recente, contemporânea, ser marcada pela imediatidade do "self", a estreiteza de si mesmo. Isto, claro, não passa de um fruto mais superficial - e portanto visível, para sermos fenomenólogos consequentes - deste nosso período histórico onde o tempo deixou há muito de ser uma categoria relevante para nossa cultura. Aliás, esta sim relevante enquanto categoria. Donde proliferarem a torto e direito livros de ficção cujo ponto de vista é em primeira pessoa, a narrativa é voltada ao "fluxo de consciência" (estilo extremamente contemporâneo!) e a perspectiva está mergulhada no "próprio umbigo", para falar numa linguagem popular. É uma tese ampla e portanto bastante questionável. Como situar a literatura beat neste terreno, por exemplo? Em que medida um Serafim, Ponte Grande pode ser considerado "pós-moderno" e portanto puro pastiche? Claro, uma entrevista não dá conta de responder tudo isso, para tanto eu deveria me voltar para o seu ensaio. Em todo caso, cair de paraquedas neste artigo foi bem interessante, para não dizer fortuito. O que exemplifica melhor esta tese do que O Quarto Branco? Esta narrativa insossa, marcada por questões espúrias, pastichadas dos nossos finados, mas assombrosos, existencialistas. O texto e a linguagem estão marcados pela ausência, tanto no conteúdo propriamente (o liame no qual conecta os diferentes momentos é claramente o problema da ausência) quanto na forma: uma forma de nada, que não fala nada, incapaz de expressar qualquer coisa além de nada. Vê-se claramente a falta de tato estético, o desejo pelo imediatismo da experiência, a imersão do leitor na cabeça da protagonista; de fato, conforme sugere Kornbluh, falta em cada gota de tinta o poder da mediação, a ânsia pela literatura bem servida, em seu estado puro: pura linguagem, pura escritura! Esta não seria a conclusão de uma esquerdista à moda antiga, está claro; porém, estruturalistas e marxistas hão de convir neste ponto, a saber, que o peso notório do corpo individual-autoral vem a desmanchar a bela tapeçaria na qual eleva prosa e poesia, igualmente, sob este nome tão altivo, tão rico, "literatura". Porque, entenda-se bem, Aguerre não faz isso, não imprime na alvura baça da folha pálida a "ausência de tudo onde se confere presença". Pelo contrário, ela quer matar a estética moderna; pretende imprimir sua alma na escritura e não o contrário, como sugeria Platão! É um livro raso, dependente da vida mesquinha da autora. Não expressa alguma verdade, tampouco alguma solidão. Não é Olho nem Esfinge, apenas humano, minguadamente humano... Obs.: ainda é uma leitura algo agradável, mesmo que mui longa para uma história tão entediante. De um modo geral, é bem escrito, por isso as duas estrelas e meia.

    15 curtidas

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    3.7 / 191
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas1%
    Gabriela Aguerre profile picture

    Gabriela Aguerre

    Gabriela Aguerre nasceu em Montevidéu, no Uruguai, em 1974, e veio para o Brasil ainda na infância. Jornalista e pós-graduada no curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz, foi diretora de redação da revista Viagem e Turismo e trabalhou na Superinteressante e outras publicações da imprensa

    1 Livro
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    Montevidéu, Uruguai

    Gabriela Aguerre