Versos no camarim -

    Regina Celi

    Editora Penalux
    2018
    82 páginas
    2h 44m
    ISBN-13: 9788558334631
    Português Brasileiro

    O título deste livro significa algo que está guardado, ainda no aconchego do camarim, mas que já se prepara para entrar no palco. O leitor é então convidado para assistir a performance da poesia que dança ao ritmo dos versos livres. Este livro, como tal qual um espetáculo, vai proporcionar emoções de vários matizes e fazer o leitor pensar sobre o mundo e a palavra. Não faltam nessas páginas os apartes da ironia e as cores em luz e sombra emanadas de um doce lirismo. Regina Celi apresenta sua obra com a simplicidade dos grandes artistas. Para ler e aplaudir de pé.

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    Alexandre Kovacs23/06/2019Resenhou um livro
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    Regina Celi - Versos no camarim

    Editora Penalux - 82 Páginas - Edição: França e Gorj - Capa e Diagramação: Ricardo A. O. Paixão - Lançamento: 2018. Regina Celi trabalha com a imagem do camarim como representação do espaço mágico de preparação e transformação do artista, um ambiente de separação entre o mundo e a arte, mas que permanece também como uma espécie de abrigo, analogia com a atração e proteção que o poeta e a palavra encontram no "ninho quente do poema" (Duelo, p. 23). O prefácio da Prof.ª Dr.ª Virgínia Leal resume muito bem o procedimento artesanal da poeta em "achar palavras, levá-las ao camarim, vestir-se com elas; com elas, despir o mundo; em seguida, revestir desta vez os vários mundos e finalmente, no poema, fazer o mundo encantar-se." (p. 14) Na parte inicial, "Quando as palavras me vestem em linguagem", Regina utiliza a sua experiência acadêmica e explora o conceito da palavra, essa importante unidade linguística que tem a responsabilidade de representar os sentimentos humanos assim como o mundo à sua volta. No entanto, identificamos aqui a questão de que a poesia não é construída somente pela palavra, mas também pelo silêncio, ou citando novamente os versos da própria autora: "O efeito está na percepção do que não é dito" (Misteriosa, p. 27). Em alguns casos, como em Rumores (p. 32), a característica hermética do poema me faz lembrar de Paul Celan (1920-1970). RUMORES buscar a palavra perdida em cada dobra de página, na opacidade que margeia prefácios e epílogos, ócio sentido cada palavra dita, indiferente ao sol, enrubesce outra em sombra ecoa na sonoridade oblíqua em dissimuladas faces no pulsar da palavra oculta, crepitam eloquentes silêncios Já na segunda parte, "No camarim, o mundo se despe em palavras", a emoção assume o comando da poesia como no poema Perdida (p. 42): "Caiu uma lágrima / no meu poema / não foi disparo / de meu olho / [conheço-lhe cor e calibre] // inesperada / atingiu certeira / versos meninos / que brincavam nos parques / ou dormiam / ainda sementes / em estado de poesia / juntei os caquinhos / enterrei no Rio toda a dor // quem sabe / a água expurga o pecado / de lavarmos as mãos / por tanto sangue derramado" Em Relógios de Areia (p. 40) e Paradigmas (p. 45) o lirismo convida para a refexão sobre o tempo: "nasceu, viveu, amou, morreu". RELÓGIOS DE AREIA quando a vida escorria em relógios de areia as noites subornavam as manhãs com estrelas iludiam o sol com promessas de raios mais quentes pra reter sonhos sob os lençóis os dias seguiam o fluxo das marés e o florir dos flamboyants até a ampulheta quebrar a noite e unir-se ao dia em etéreas madrugadas. PARADIGMA nasceu aos prantos viveu aos baques amou à exaustão morreu à míngua Em "Do camarim, as palavras revestem os mundos" descobrimos no poema À deriva (p. 56) que navegar não é preciso, navegar é poesia. Já em Fios de Mãe (p. 53) um lindo exemplo de como expressar tanto sentimento em um espaço tão reduzido. Regina "desenha com palavras" e a poesia se torna muito visual, praticamente uma pintura impressionista, como no poema Hoje (p. 60): "não escrevo poema / desenho com palavras / uma lua escandalosa e cheia de timidez / escondida por trás da névoa prateada / sob chuva fininha / cortinando gotículas de led / que formam luminosas poças d'água / de estrelas reluzentes // quase um Monet." À DERIVA quis ser barco à vela desgarrar-se do porto no leme de gaivotas ousar pensar no mar só dela e foi... na falta de lua desenhou estrelas numa pipa psicodélica fez dela aurora boreal céu e oceano fagulham contos e assombrações em folhas de papel navegar é poesia FIOS DE MÃE os labirintos de minha mãe escondem segredos revelam caminhos entre tramas de textos e tecidos de linho Na seção final, "Na magia do camarim, o mundo se encanta em poema", a poeta resume o seu ofício em Escrevo (p. 73): "só porque sou lua /e em fase cheia / transbordo pirilampos adormecidos / em palavras despertas em suor, / fluidos e sentimentos // e no que transbordo / desoculto a face dos silêncios loquazes: / desafogo-me // e no que deságuo / contrario máximas: / escrevo para ninguém // confronto-me com a palavra / fruto urgente do enunciado / ainda que por mim gerada // desconheço-lhe a maternidade / me vejo cria da palavra." Para concluir em Partituras (p. 80) com uma verdade que todos conhecemos: "o universo cabe num poema". PARTITURAS nuvens e catedrais rasuram sinfonias horror e glória despem o mundo interior e o cósmico imune ao tema, o universo cabe num poema.

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