O quadrinho tem limitações na adaptação do romance, pulando abruptamente várias partes e detalhes. Normal e, sendo um Verne, vale a conferida para apreciadores. No meu caso, desperta lembranças do livro num exercício de criticidade em paralelo.
Estou acostumado com a estética antiga, mas os desenhos dos tubarões estão realmente muito toscos. O Nautilus também não ficou atrás. Tenho o do filme Disney (1954) como o submarino de Nemo mais estiloso já concebido.
Nessa HQ, a melhor parte está no enfrentamento de Nemo e sua turma com os terríveis polvos, além do acréscimo de um conto de Júlio Verne, chamado "Gibraltar". Não o conhecia e a leitura foi divertida.
O conto é estranho, parecendo crítica surreal e nonsense pela disputa do local entre espanhóis e ingleses. Veja só: um espanhol se disfarça de macaco e instiga grupo dos símios para atacar fortaleza inglesa. Não consegue expulsar os dominadores da região e estes assumem tática de mandar para o local um general tão feio, mas tão feio, que os macacos nunca mais se atreveram a atacar o forte, por medo. Eita! Que é isso? Só posso entender como jogo ideológico pelo domínio da região. Incitando rebelião em manobras escusas ou mantendo domínio com uma imagem que iniba os ânimos.
Desculpa aí o spoiler, mas não quero esquecer o conto e fiz o registro em síntese com esse fim.