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    O vestido de laise - contos e prosas poéticas

    Thiago Sogayar Bechara

    Patuá
    2016
    274 páginas
    9h 8m
    ISBN-13: 9788582973547
    Português Brasileiro
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    Thiago Sogayar Bechara parece ter plena consciência dos efeitos das imagens construídas pois, tanto em sua poesia quanto em suas peças teatrais e contos, é perceptível a intenção artesanal comum a todo indivíduo que pensa seu próprio tecer, tanto que consegue transportar poesia para as biografias que se dedicou a escrever transformando os biografados em personagens de suas próprias vidas. A delicadeza e a dedicação com que encara suas empreitas artísticas e jornalísticas fazem dele, como diria Pound, uma das antenas da raça nesse início de século XXI. Daí que o custo da catarse diante dos contos de Thiago S. Bechara é o silêncio. É o estado de imersão que iniciamos dentro de nós mesmos quando nos deparamos com a ideia de que compartilhamos das mesmas angústias e naturezas dos muitos que habitam seus textos. Do prefácio. “O vestido de laise: contos e prosas poéticas”, de Thiago Sogayar Bechara. (Editora Patuá, 2016). Dia 10/12, sábado, das 18h às 23h. Bar e Livraria Patuscada (Rua Luís Murat, 40, Vila Madalena, São Paulo). Composto por 26 contos e prosas poéticas, e uma novela, “O vestido de laise” (Editora Patuá, 2016) é o nono livro de Thiago Sogayar Bechara (www.thiagobechara.com.br), e primeiro no gênero de histórias curtas e vem coroar os 15 anos de carreira editorial do poeta, biógrafo e dramaturgo nascido na capital paulista. Marcado por estéticas inconfundíveis – e tão distintas entre si - como as de Clarice Lispector e Fernando Pessoa, o resultado poético dos contos apresentados neste livro revelam painéis psicológicos de indivíduos atormentados pela aguda consciência que os tira de uma zona de angústia sombria para uma iluminação não menos aflitiva, porém mais lúcida e, portanto, hábil na busca de uma compreensão da vida. Isto não quer dizer, contudo, que as elaborações ficcionais das humanidades retratadas aqui tenham a esperança de alcançar alguma compreensão efetiva sobre o sentido de existirem (ainda mais na condição em que existem). Antes o contrário. Buscam em roda, como os ciclos tediosos de Tchékhov, num absurdo realista (ou realismo absurdo), como as peças de Ionesco. Porém, dar essas ou outras referências autorais não é suficiente para revelar por inteiro o universo afetivo e quase idílico que esses retratos de pouca ação exterior - mas com grandiosos movimentos internos - apresenta ao leitor. Em sua etimologia, a palavra “drama” relaciona-se com a ideia de ação. Pois as personagens de “O vestido de laise”, estejam elas ou não envolvidas num enredo propriamente, vivem indiscutivelmente dramas mais ou menos profundos, mas todos eles vividos em sua plena intensidade. Mesmo quando imersos em profunda beleza – ou por isso mesmo. Ou obrigando -se a proteger-se do mundo buscando a beleza na tragédia que acomete a cada indivíduo, pobre ou rico, na sua igualdade quando veem-se de idêntico modo sujeitos à fatalidade e a ausência de liberdade de escolha para uma vida que acaba não sendo totalmente delas. E que termina do mesmo modo para todos, em seu momento crucial de desfecho rumo ao esquecimento. Vestidos de cenas cotidianas, os personagens que bailam por estas páginas são como cada um de nós. Frágeis e fortes. Lúcidos e cegos. Sãos e loucos. Têm nas descobertas dos seus avessos, os lados certos da vida. O avesso de um vestido, o avesso de um céu precipitado ao chão, o avesso de uma grade enferrujada, o crime como remissão, a morte como renascimento, a dor como alegria e as vísceras como a única possibilidade de mostrar o exterior de que somos revestidos. O avesso do sexo, o terror que há na paz, a secura da chuva, a liberdade que há numa cela de penitenciária e a umidade de um deserto. São alguns dos pequenos símbolos que colorem a penumbra destes fados literários. Um livro costurado em seu paradoxo. Vidas que só são bem cerzidas quando descosidas. Almas atadas às suas sombras e iluminadas pela percepção do contraste como gérmen do novo. O vestido de laise enfim sai de seu ateliê paupérrimo para rodar num salão ornado sabe-se lá por quais imaginações. Trata-se de um livro em aberto. Um livro em co-autoria com cada um dos leitores que se deixarem levar pela turbulência contundente e ao mesmo tempo serena de suas ondas. Ondas de rio e mar. Um livro para ser mais sentido e absorvido pela pele, via sonoridade de seus longos silêncios, do que propriamente entendido.

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    Thiago Sogayar Bechara

    Paulistano de 1987, Thiago Sogayar Bechara é autor dos livros de poesia Impressões, publicação independente de 2002, e Encenações, lançado em 2004, pela Editora Zouk, com prefácio do jornalista Heródoto Barbeiro. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e é pós-graduado em Jornalismo Cultural pela FAAP.Desde 2005, colabora com o Jornal Jovem. Atua como biógrafo e pesquisador nas áreas de música, teatro e cinema, além de ter sido apresentador do programa Memória Brasil, hospedado na TV UOL, onde entrevistou nomes como Beatriz Segall, Ana Lucia Torre, Humberto Werneck e Claudia Alencar. Tem desenvolvido estudos em torno de trajetórias como a do cantor e compositor Luiz Carlos Paraná (cuja biografia Luiz Carlos Paraná: O Boêmio do Leite foi lançada de modo independente em 2012) e foi assessor de imprensa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Compositor iniciante, teve sua canção Minhas Janelas gravada pelo parceiro José Domingos, com arranjo e acordeom de Toninho Ferragutti e violão de Ulisses Rocha, no disco Santa Ignorância, de 2011; e também no disco José Domingos e Rafael Schmidt, do mesmo ano. Para a Coleção Aplauso, já lançou oa perfis Imara Reis: Van Filosofia (2010), e Cida Moreira: A Dona das Canções (2012); e pela editora Phorte, em parceria com outros autores, o livro Linguagem Corporal Circense. Em 2013, pela Editora Patuá, saiu sua coletânea de poemas inéditos Literatura de Quintal e em 2014, o trabalho independente Chang Loo Sih: A Química do Olhar. Recebeu o título de cidadão honorário de Ribeirão Claro-PR, além de outras homenagens e colaborações em periódicos da região. Vem participando de coletâneas organizadas pela União Brasileira de Escritores e se dedica a projetos de dramaturgia teatral, integrante grupos de estudos e leituras. Seu site: www.thiagobechara.com.br

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    São Paulo, Brasil

    Thiago Sogayar Bechara