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    O marinheiro (de) Fernando Pessoa - heranças clássicas no drama estático

    Thiago Sogayar Bechara

    Colibri
    2018
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9789896898007
    Português Brasileiro
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    Toda pátria, hoje sei, é também uma espécie disfarçada de argonauta. Como todo navio hasteia pelas vagas o sabor pátrio da sua bandeira. Como Odisseu não cessou de buscar regresso até sua Ítaca; como Eneias errou pelos mares até cumprir seu destino de fundar como Roma sua nova Tróia; como Vasco da Gama navegou para além da Taprobana que era o limite conhecido também das nossas almas; como o marinheiro da peça de Pessoa é modo de recriação onírica de uma nação em vias de se refundar, por sermos todos, ante a perspectiva da morte, pátrias inteiras sempre em busca de ressurreição na esperança baldada de compreender algo sobre o porquê de cá estarmos antes do naufrágio; como cruzei anônimo o Atlântico, também em busca de orientes, na terra de Amália – que também esta cumpriu Portugal, não num idealizado Quinto Império, mas na sua maneira concreta e eterna de fundir à voz o sentir profundo do seu povo, “que lava no rio”. Povo do qual Camões e Pessoa fazem parte soberanamente. E também lavam. Assim como a cada renascimento de nós, pomo-nos a velar nossos simbolismos já defuntos, e a velejar por pátrias totalmente reinauguradas após ganharmos e perdermos guerras – assim também se deu este livro. ¶¶¶ Sair do meu país para achar cá também a minha raiz é o mesmo que navegar do estatismo para o centro tectônico do movimento. 1755 particular. Do acomodado para o felizmente incomodado que me abala a cada dia as certezas e treina, com sismos, meu eixo de equilíbrio. Pelos conceitos de drama e páthos, tragicidade clássica e moderna, estático e extático e pela tensão vibrante gerada pela inevitabilidade de perguntas irrespondíveis – perguntas sagradamente malditas do Homem desde que sua consciência de si próprio fê-lo digno desse estatuto –, pude mergulhar como em tempos sonhava ter ensejo de fazer na homérica e “supracamoniana” obra desta pedra de Lisboa que foi e segue sendo Fernando Pessoa. Índice: Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar. Depois abri o mar com as mãos para o meu sonho naufragar. […] Debaixo d’água vai morrendo o meu sonho vai morrendo dentro do navio. Chorarei quanto for preciso para fazer com que o mar cresça e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça. (Trecho do Fado “Naufrágio”, de Cecília Meireles e Alain Oulman) Prólogo Introdução 1 Primeiro ato: O marinheiro: gênese. 1.1 O programa estético da revista Orpheu: continuidade e inovação 1.2 O marinheiro: singularidades. 2 Segundo ato: O marinheiro: a “cinética” pessoana (noite e mar como tempo e espaço) 2.1 O corpo clássico (Ricardo Reis). 2.2 O corpo andante (Alberto Caeiro). 2.3 O corpo extático (Álvaro de Campos). 2.4 O corpo estático (O marinheiro) 3 Terceiro ato: Elementos classicizantes n’O marinheiro: reminiscências e ecos trágicos. 4 Epílogo 5 Referências bibliográficas: 5.1 Obras de Fernando Pessoa 5.2 Bibliografia geral 5.3 Sitiografia 5.4 DVDs e CDs 5.5 Artigos publicados e teses acadêmicas do autor desta dissertação Anexos Apêndices Agradecimentos O AUTOR: THIAGO SOGAYAR BECHARA (1987-). Brasileiro de nascença e lisboeta de alma, Thiago estreou-se em livro aos quinze anos e esta é sua 13.ª “obra- solo”. Trafegando por distintos gêneros, lançou em 2018 o livro-catálogo de fotos e poemas Portugal: à luz das origens que integrou a exposição fotográfica itinerante fomentada pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Jornalista Cultural, foi apresentador e assessor de imprensa; é Mestre em Estudos de Teatro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com a tese que ora se edita, e doutorando em Estudos Portugueses e Românicos pela mesma instituição, com investigação sobre as marcas clássicas e trágicas na lírica do Fado, além de cantá-lo em retiros típicos amadoramente, tendo privado da amizade de personalidades como a fadista Celeste Rodrigues, para quem compôs a convite da própria. Em 2014, integrou o grupo de investigações dramatúrgicas fundado pela atriz brasileira Regina Duarte, e em 2015 falou mais alto seu amor por Lisboa, onde vive desde então. www.thiagobechara.com.br

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    Thiago Sogayar Bechara profile picture

    Thiago Sogayar Bechara

    Paulistano de 1987, Thiago Sogayar Bechara é autor dos livros de poesia Impressões, publicação independente de 2002, e Encenações, lançado em 2004, pela Editora Zouk, com prefácio do jornalista Heródoto Barbeiro. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e é pós-graduado em Jornalismo Cultural pela FAAP.Desde 2005, colabora com o Jornal Jovem. Atua como biógrafo e pesquisador nas áreas de música, teatro e cinema, além de ter sido apresentador do programa Memória Brasil, hospedado na TV UOL, onde entrevistou nomes como Beatriz Segall, Ana Lucia Torre, Humberto Werneck e Claudia Alencar. Tem desenvolvido estudos em torno de trajetórias como a do cantor e compositor Luiz Carlos Paraná (cuja biografia Luiz Carlos Paraná: O Boêmio do Leite foi lançada de modo independente em 2012) e foi assessor de imprensa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Compositor iniciante, teve sua canção Minhas Janelas gravada pelo parceiro José Domingos, com arranjo e acordeom de Toninho Ferragutti e violão de Ulisses Rocha, no disco Santa Ignorância, de 2011; e também no disco José Domingos e Rafael Schmidt, do mesmo ano. Para a Coleção Aplauso, já lançou oa perfis Imara Reis: Van Filosofia (2010), e Cida Moreira: A Dona das Canções (2012); e pela editora Phorte, em parceria com outros autores, o livro Linguagem Corporal Circense. Em 2013, pela Editora Patuá, saiu sua coletânea de poemas inéditos Literatura de Quintal e em 2014, o trabalho independente Chang Loo Sih: A Química do Olhar. Recebeu o título de cidadão honorário de Ribeirão Claro-PR, além de outras homenagens e colaborações em periódicos da região. Vem participando de coletâneas organizadas pela União Brasileira de Escritores e se dedica a projetos de dramaturgia teatral, integrante grupos de estudos e leituras. Seu site: www.thiagobechara.com.br

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    São Paulo, Brasil

    Thiago Sogayar Bechara