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    Tecelãs -

    Rizolete Fernandes

    Sarau das Letras e Trilce
    2017
    287 páginas
    9h 34m
    ISBN-13: 9788555180927
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Edição bilingue, portuguel-espanhol. "O olho clínico da autora contemplou as significativas 20 mulheres, dentro do panorama de sua visão. É claro que esta seleção advém do seu conteúdo de relevância e de luta em prol do próximo e da prevalência do conhecimento humano: Safo, Christine de Pisan, Teresa d´Avila, Teresa Margarida, Nisia Floresta, Maria Firmina dos Reis, Emily Dickinson, Chiquinha Gonzaga, Auta de Souza, Magdalena Antunes, Gabriela Mistral, Cora Coralina, Laura Brandão, Bertha Luz, Cecília Meirelles, Nise da Silveira, Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Maria Sylvia e Dona Militana – todas descritas com especial cuidado, como bem disse a Professora Conceição Flores, na orelha da obra: “Rizolete Fernandes revela a sua sensibilidade de poetisa e a de pesquisadora cuidadosa para criar uma sororidade, um pacto entre todas as vozes convocadas e o leitor. Um livro imperdível, escrito em versos cuidadosamente construídos, com uma dicção feminina, que foge do lugar comum”. (Resenha de J. R. Guedes de Oliveira, publicada no site Substantivo Plural)

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    Lindevania Martins04/01/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “Nem calada, nem morta”: sobre Tecelãs, de Rizolete Fernandes

    Numa sociedade profundamente marcada pela divisão sexual do trabalho, às mãos femininas foi reservada a tarefa de entrelaçar as fibras, os fios e criar novas formas: tecer. Na mitologia grega, três mulheres eram responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida. Conhecidas como “moiras”, as três divindades irmãs não foram as únicas envolvidas com fios e tramas, como bem nos mostram Ariadne e Penélope. Não por acaso, o livro de Rizolete Fernandes, Tecelãs (Editora Sarau das Letras e Editora Trilce, 2017), ao narrar a história de vinte mulheres que teceram o fio da igualdade e da liberdade para suas irmãs de gênero, se inicia com Tétis e Safo. São histórias individuais que criam a história coletiva das lutas das mulheres por respeito e reconhecimento. Narrando em primeira pessoa, o texto da autora inclui trechos originais das mulheres retratadas, conseguindo o efeito extraordinário de mesclar de tal forma sua voz á das homenageadas, construindo versos que ao mesmo tempo em que respeitam os estilos das mesmas, dialogam de forma vívida com o tempo presente, que o leitor sente que cada mulher retratada lhe fala em particular. A seleção das vinte tecelãs, entre as quais se incluem Nísia Floresta, Nise da Silveira, Simone de Beauvouir, Auta de Souza, Chiquinha Gonzaga, Frida Kahlo e Gabriela Mistral, entre outras, é feita com base na contribuição das mesmas para a luta pela igualdade de gênero, mas também a partir do afeto e da subjetividade da autora, ela mesma mulher nordestina, nascida no interior do Rio Grande do Norte, com uma grande produção literária. Não por acaso, as mulheres retratadas se constituem em sua maioria autoras, ante a consciência de que estas manejam “perigosa e letal arma: a escrita”. Mas Rizolete Fernandes também é tecelã. Unindo suas identidades de poeta e de pesquisadora, tece os fios da memória com muita competência. Como o fio que Ariadne estendia no labirinto do Minotauro, a autora, através do apuro técnico e artístico do seu trabalho, nos aponta que é preciso não esquecer o árduo percurso percorrido, nossa história e passado, sob a pena de tomar por ganho fácil o que foi duramente conquistado. A autora nos alerta que o trabalho da tecedura se estende pelo tempo. É constante. É uma trama inacabada, uma responsabilidade ética que temos com as mulheres do passado, de quem somos herdeiras, e com as mulheres do futuro, que receberão nosso legado. Desse ponto de vista, o livro não é apenas uma bela homenagem às vinte tecelãs, mas uma convocação para que seu trabalho seja continuado e para que a memória das mesmas permaneça viva, pois como diz a Autora na introdução, “mulher não é mesmo de ficar calada/nem morta”. (Lindevania Martins é escritora, pesquisadora, mestre em cultura e sociedade e defensora pública no Maranhão)

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    Rizolete Fernandes

    Poeta, escritora e socióloga, Rizolete Fernandes nasceu em Caraúbas (RN), formou-se em Ciências Sociais pela UFRN, e reside em Natal, aposentada do serviço público estadual. Militou e dirigiu grupos classistas e feministas, até o início do ano 2000. Publicou “A História Oficial Omite, Eu Conto: Mulheres em Luta no RN” (Edufrn, 2004). Este seu primeiro livro retrata a história do movimento feminista no RN. Publicou depois: “Luas Nuas” (Una, 2006), e “Canções de Abril” (Una, 2010), poemas. “Cotidianas” (Sarau das Letras, 2012), marcou a estreia da autora no gênero crônica; em seguida publicou “Vento da Tarde”, poemas, em edição bilíngue (português e espanhol), quinto livro de sua carreira literária, lançado em Salamanca. Também organizou um livro em parceria com os jornalistas Paulo Laguardia e Adriana Amorim, “Cidade da Esperança – 50 anos de história do Bairro”, (Sistema Fecomércio RN/Sesc, 2016).

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    Rio Grande do Norte, Brasil

    Rizolete Fernandes