Acho que Jorge Portugal bem resumiu na "Carta aberta à palavra do poeta", que abre essa curta e deliciosa obra, como a Poesia de Capinan é capaz de ser viagem ao centro de nós mesmos.
Conhecia as poesias cantadas do Capinan, poeta, letrista, parceiro de musicistas e cantautores. Quero lê-lo mais tanto quanto ouvir ainda mais canções suas parcerias.
Não são apenas vinte poesias-canções lírico-amorosas. O autor comenta que seu principal amor é a vida e, por isso, a poesia que encerra no desespero (de cidadão-cirandeiro contra os grileiros- madeireiros-garimpeiros) tece tanto e conversa com os sentimentos de temor, ódio e, ainda sim, com os de esperança e fé no bálsamo: Éwè Ossain.
Combatemos "a ânsia dos perversos e buscando a rede / Onde a infinita mão do acaso tece a esperança". Persistirá minha sede pela palavra, meu bálsamo e nossa maneira de invocar, combater, de chamar pelas cores do sol, festa no mar. Nosso laço com a vida, nosso rio, nossa floresta, nosso mar, nosso ar.