É possivel fazer uma definição conspícua entre as raças existentes? Quantas classificações teriam? 4, 5, 6, 16? Se fizermos uma viagem partindo do Sul da África até o Norte da Europa, passando pela Tanzânia, Quênia, Etiópia, Egito, Síria, Turquia, Romênia, Ucrania, Estônia e Finlândia quantos grupos étnicos poderíamos traçar? Quais critérios poderíamos utilizar?
Alguns estudos já mostraram classificações com até 200 raças e outros ainda com classificações étnicas para cada individuo ímpar, o que formaria uma classificação quase infinita!
Pois bem, tudo isso é irrelevante. Guido Barbujani faz um trabalho excelente neste livro e mostra diversas pesquisas e seus resultados a respeito desta classificação desnecessária.
Raça nada mais é que um termo comercial, usado para animais de estimação ou esportivos, como cães e cavalos que pela ação da seleção artificial por nós(humanos) imposta, permitiram surgir diferentes grupos com características exclusivas dependentes de cada preferência.
Diversas pesquisas apontam que a variabilidade genética é bem maior dentro duma mesma população (cerca de 85%) do que em populações adjacentes (5%) ou até quando comparadas com outras de continentes diferentes (10%). O que vai contra as falácias que dizem que existem diferenças genéticas gritantes quanto a cor da pele.
Alguns adeptos do conceito de raça acham importante existir a definição para melhor tratamento de doenças e fabricação de remédios. Porém, Francis Collins rebate com destreza quando explica que o que importa no tratamento das patologias são o conhecimento dos alelos, as variantes gênicas que estão implícitas nos nossos cromossomos, além de fatores ambientais e sócio-econômicos.
As diferentes cores de pele como o negro e o branco são resultados de uma longa história evolutiva de cerca de 200 mil anos da nossa espécie. Pessoas que vivem próximas aos trópicos foram melhores selecionadas a terem pele escura para melhor aproveitar a vitamina D e proteger a síntense do ácido fólico que é degradado com altas taxas radiativas. Já indivíduos que ao longo da evolução, ocuparam porções mais extremas do planeta, foram melhores adaptadas com peles de cor clara, já que o Sol nesta região chega de maneira menos intensa e o risco de degradar o folato é mais baixo.
A classificação de raças é tão arbitrária, que policias americanos e ingleses reconhecem indivíduos semelhantes como raças diferentes durante uma caracterização durante uma perseguição de suspeitos.
Termino esta resenha (acho que a maior que já fiz hehe) com a citação de Richard Lewotin: " Afinal de conta raças existem, não nos nossos genes, mas na nossa cabeça, nas sociedades em que vivemos."