No Badalar da Meia-Noite é o primeiro livro na trilogia The Naughty Princess Club, da Tara Sivec, publicado por aqui pela editora Gift Box. O livro é uma comédia romântica que recria - bem frouxamente - contos de fadas. E já se tornou a leitura mais divertida do ano!
Cynthia está tentando a todo custo esconder sua vida em frangalhos dos vizinhos fofoqueiros. Isso porque seu marido deu no pé com a babá, depois de limpar as contas bancárias deles e roubar mais de 5 milhões de dólares da empresa dos próprios pais. E tudo que ficou para Cynthia foram os papéis do divorcio e uma DST.
Pera, o quê?!
Depois de ouvir de Ariel, a vizinha de quem todo mundo fala mal, que seu marido (ex-marido) lhe passou uma DST, Cynthia desmaia no jardim de sua casa e é salva por um bonitão misterioso, Ariel e Belle.
É no meio desse caos que surge uma amizade improvável entre Cynthia, Ariel e Belle, três mulheres que acabam se aproximando devido a sua necessidade desesperada de dinheiro. E rápido. E depois de serem confundidas com strippers em uma festa, surge a ideia perfeita: porque não começar um negócio de strip em festas?
A ideia parece perfeita. Exceto pelo fato de que Ariel é desbocada demais e pode acabar ofendendo os clientes, Belle é tímida demais e Cynthia não consegue lidar com a ideia de tirar a roupa na frente de estranhos - ou fazer pole dance sem seus lencinhos desinfetantes.
E é aí que começa a saga das três amigas para recuperarem a autoestima de Cindy, ajudarem-na a descobrir quem realmente é - em vez da Barbie de plástico que seu marido a transformou - e, de quebra, fazer com que ela tenha a melhor transa da sua vida com o estranho que a ajudou no dia do desmaio.
No Badalar da Meia-Noite me fez rir muito. Seja com os diálogos engraçados, as briguinhas de Ariel e Eric ou até suas cenas bregas e fofas. Eu já esperava um excelente bom humor, dado o que a Eduarda achou de Malícias e Delícias e o que a Lu, do Balaio de Babados, tinha contado na resenha dela.
Mas gente, o livro realmente se superou. Além de ser bem curtinho, eu não queria parar de ler. A história fluía muito fácil, os capítulos passavam rápido e a Tara definitivamente não fica se enrolando em cima de um acontecimento. Tudo se desenrolava bem.
Cindy foi uma personagem divertida de acompanhar. Ela começa No Badalar da Meia-Noite como uma típica dona de casa rica do subúrbio, com o nariz em pé e morrendo de medo dos vizinhos descobrirem sua atual situação.
No entanto, com o passar das páginas e conforme sua amizade com Belle e Ariel se desenvolve - em especial com a Ariel - ela começa a se soltar. Cynthia percebe que seu comportamento é resultado de anos de pressão por parte da família do marido e seu medo de perder a sensação de segurança e família que conseguiu com ele.
Conforme Cynthia se descobre independente e dona de si, encontra uma lado seu que nunca achou possível. Tirando o gosto musical dela, que nunca muda. Honestamente, MMMBop pra um strip me fez rir demais.
Por outro lado também conhecemos o PJ. O príncipe encantado da história. Meu maior pé atrás com romances do tipo é que o gênero já naturalizou tanto o romance abusivo que eu sempre pego livros como No Badalar da Meia-Noite rezando para não ter nada disso. E fiquei muito feliz quando PJ se apresentou como um cara descente - sério, a que ponto chegamos de ficar feliz pelo mínimo, né?
PJ definitivamente é irritante. E toda vez que ele tentava fazer a Cindy mudar de ideia eu queria que ela socasse a cara dele. Mas ele também nunca tratou ela mal porque teve um passado difícil, também nunca negou compreensão, carinho e gentileza.
Outro ponto que me deixou feliz é que a história não tem aquela baboseira de "nós nunca vamos ficar juntos porque eu não me apaixono" e essas porcarias que precedem, claro, os protagonistas se apaixonando.
PJ e Cindy definitivamente se aproximam por conta da atração sexual que sentem um pelo outro. Mas o relacionamento se desenvolve para além disso e eles deixam as coisas acontecerem naturalmente. Eles não ficam inventando obstáculos e achei isso bem maduro. O que entra no caminho deles são as circunstância, não a imaturidade emocional - coisa que eu espero de adolescentes, não gente com mais de 30 anos, porque aí é caso de terapia.
Por fim, No Badalar da Meia-Noite foi uma leitura que me surpreendeu além das expectativas, me deixou muito feliz e me deu um fim de semana muito divertido.
Apesar de alguns comentários que a gente realmente poderia ter ficado sem, recomendo muito para quem curte romances gostosinhos, eróticos e divertidos. O livro está disponível em formato físico e e-book - e se você assina o Kindle Unlimited, lê todos os três de graça.