O livro que li era uma outra edição, antiga, da Record, sem ISBN, o que, de alguma forma, deu um outro sabor ao livro que retrata uma Africa dos anos 40, e, embora os colonizadores tenham-se ido ou se africanizado, não parece muito diferente da atual.
Doris Lessing nunca é uma leitura fácil. As ideias são complexas, as emoções também. Algumas frases parecem ter um sentido secreto. Mas sempre vale a pena.
A maioria dos contos são do ponto de vista de uma jovem branca criada na Africa e têm a nostalgia misturada com a crítica cirurgia à sociedade dos colonizadores. mas os melhores contos são ?A madona negra?, sobre um italiano preso de gerra, e ?Fome?, que conta a ida de um jovem negro de sua aldeia para a cidade dos brancos e retrata a situação da África de uma forma arrasadora, com muito sentimento mas não sentimental, racional e sem concessões.
Fome trata da fome pela vida, não só da fome por alimentos e, junto com a parte final da autobiografia de Lessing, deve ser lido por qualquer um que tenha interesse ou vontade de ajudar a Africa.