Amor próprio X Amor de si mesmo
“Convém não confundir o amor-próprio e o amor de si mesmo, duas paixões muito diferentes por sua natureza e por seus efeitos. O amor de si mesmo é um sentimento natural que leva todo animal a zelar pela própria conservação e que, dirigido no homem pela razão e modificado pela piedade, produz a humanidade e a virtude. O amor-próprio não é senão um sentimento relativo, artificial e nascido na sociedade, que leva cada indivíduo a dar mais importância a si do que a qualquer outro, que inspira aos homens todos os males que se fazem mutuamente e que é a verdadeira fonte da honra”. Nota XV (p. 151-152 na edição da LPM de 2010). É como disse Cassirer sobre Rousseau: um autor ainda muito atual. Não se trata de um iluminista propriamente, uma vez que é crítico das luzes e de uma visão unilateral do esclarecimento. Rousseau antecipa várias discussões antropológicas hoje debatidas, a exemplo do etnocentrismo europeu.

