Manual de Xadrez -

    Ideal Becker

    Nobel
    1974
    314 páginas
    10h 28m
    ISBN-10: 8521307586
    Português Brasileiro

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    Fabio Shiva15/04/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “O xadrez – como o amor, como a música – tem o poder de fazer os homens felizes.”

    XADREZ & LITERATURA No ano passado li com muito gosto o excelente “Manual de Xadrez” do grande professor Idel Becker. Terminada a leitura, com pena de abandonar o livro, decidi estudar com mais minúcia as 91 ‘imortais’ apresentadas na seção de partidas completas. Que bela decisão!!! Ao reproduzir cada partida, uma por uma, lance a lance, pude vivenciar de fato essa linda descoberta: uma boa partida de xadrez pode ser tão emocionante, comovente e inspiradora quanto um grande livro ou filme. Em outras palavras, o xadrez é bem maior que o tabuleiro, escapa aos limites de um mero jogo, pois há algo nele que fala da própria essência da vida. Exatamente como um grande filme ou romance! Durante a reprodução das partidas, muitas vezes me percebi contendo a respiração, como se estivesse lendo um bom suspense de algum autor favorito. Em outros momentos tive insights sobre a vida, sobre a arte de escrever e até, surpreendentemente, sobre o jogo de xadrez. Uma das melhores lições que tirei foi a seguinte: a posição é mais importante que o material. Traduzindo isso para a vida do dia a dia, não importa tanto o que você tem, e sim o uso que você faz do que você tem. Uma bela lição que se aplica ao xadrez, à literatura e à vida! Quero comentar duas partidas que são bons exemplos de ligação entre o xadrez e a literatura, dentre tantos outros possíveis. Escolhi essas em especial por dois motivos. Primeiro, porque são vitórias das pretas, geralmente muito mais emocionantes. No xadrez as brancas sempre começam, então cabe a elas o ataque, enquanto as pretas ficam na defesa. No nível dos Grandes Mestres, campeões mundiais, essa pequena vantagem de um lance é decisiva, então se as pretas conseguem empatar já é motivo de comemoração. Quando as pretas vencem, então, é porque aconteceu algo de sensacional. O segundo motivo é que ambas as partidas se relacionam com uma peça de William Shakespeare! =D A partida realizada entre Sämisch (brancas) e Nimzovitch (pretas), em Copenhague, 1923, ficou conhecida como a ‘IMORTAL DO ZUGZWANG’. No 25º lance, depois de ter armado a cama para o adversário, Nimzovitch faz um movimento de espera, obrigando Sämisch a tomar a iniciativa. Só que as pretas posicionaram sua defesa de tal forma que as brancas não podem fazer um único movimento que não leve à desgraça. Essa é a essência do conceito enxadrístico de ‘zugzwang’, que também se aplica muito bem, penso eu, ao dilema vivido pelo príncipe Hamlet em sua questão igualmente imortal: “Ser ou não ser?” E que interessante sincronicidade essa partida ter ocorrido justo na Dinamarca! A segunda partida foi disputada em 1958, na Bulgária, entre Bobotsov (brancas) e Tahl (pretas), que realmente fez o adversário de bobo aqui: no 11º lance Tahl sacrifica a sua dama em troca de um cavalo de vantagem. Uma jogada que parece loucura, mas que traz a inspiração do gênio. E como esse cavalo das pretas acaba dando trabalho para as brancas! Captura várias outras peças e obriga as brancas a cederem o mate no 31º lance. Espetacular! Só pude pensar na famosa fala de Ricardo III, durante uma batalha igualmente emocionante: “Meu reino por um cavalo!” Bom demais! (26.02.14) Realmente, passei muitas horas felizes na companhia desse livro, um trabalho apaixonado e minucioso sobre o Jogo dos Reis. Desde as regras elementares até partidas comentadas de Grandes Mestres, passando pela história e filosofia do xadrez, além de muitas curiosidades. Por exemplo, duas que não me saem da cabeça: um fulano que chegou a jogar 50 partidas simultâneas de xadrez às cegas (sem enxergar o tabuleiro), fala sério! Outra curiosidade: um outro fulano que bolou um problema num tabuleiro gigante, com 100 casas e trocentas peças, com o singelo enigma de dar o mate sem mexer nenhum peão em 1.866 lances, fala séeeerio!!!! Bem verdade que nessa época não existia TV, mas mesmo assim é um conceito muito extremo de diversão rarara!!! Os problemas de xadrez, aliás, são um dos pontos fortes do livro, que traz uma análise detalhadíssima dos diversos estilos de problemas, além de uma seleção deliciosa, do tipo “as brancas dão mate em dois lances”. Acho os problemas muitas vezes até mais divertidos que uma partida real, e os desse livro me fizeram ver torres, bispos e cavalos em todos os lugares! Além de terem trazido a inspiração para uma série de histórias complicadas e trabalhosas, que um dia espero escrever... Xadrez é massa demais!!! ***///*** Conheça O SINCRONICÍDIO: http://youtu.be/Vr9Ez7fZMVA http://caligoeditora.com/ ***///*** ANUNNAKI – Mensageiros do Vento http://youtu.be/tJhDrVK-BOQ https://www.facebook.com/anunnakimensageirosdovento MANIFESTO – Mensageiros do Vento http://www.mensageirosdovento.com.br/Manifesto.html

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