O trabalho de Roberto Jardim nesse livro é primoroso e cumpre uma importante função: introduzir a jogadores - e um técnico - que viveram o futebol segundo seus princípios políticos. Para uma geração que cresceu com um futebol de jogadores que não falavam nada que não fosse o jogo, suas famílias ou Jesus, o livro chega como uma brisa refrescante. Há vida política no futebol!
O livro é composto por pequenas introduções que tratam da vida de 11 jogadores e 1 técnico que seriam convocados pelo "Democracia Futebol Clube" não só por seus méritos em campo, mas também por seu engajamento político. Todos de esquerda porque na pesquisa do autor não foram encontrados jogadores que se engajassem à direita e não levassem a reboque autoritarismo e outros demônios - vide Paolo di Canio. Algumas são muito mais interessantes que outras, mas nenhuma comete o fatal pecado de ser chata.
Aliás o livro em geral é uma leitura dinâmica que combina personagens da história latino-americana, africana e europeia com análises táticas do futebol escritos sobre o contexto político em que esses personagens estavam.
A edição da editora Ludopédio é primorosa. Foi o primeiro livro que eles publicaram e isso torna tudo ainda mais impressionante. Em reimpressões futuras eu apenas atentaria para como o texto está com uma colocação um pouco estranha na página, distante do canto externo e tão próxima do interno que a leitura é um pouquinho dificultada, mas nada que estrague a experiência.
No mais, termino essa pequena resenha com um convite para que as pessoas conheçam essa nova editora e seu primeiro livro que explora o futebol muito além da versão insossa dos programas de tv. Para uma experiência ainda melhor, pule o sumário e se deixe surpreender pelas escolhas do autor de quem entra no time.