Hoje em dia se tornou lugar comum o uso do prefixo "pós-". Pós-modernidade; pós-verdade; pós-esquerda; pós-estruturalismo; (a lista é grande
).
O prefixo "pós-" denota algo que vem depois. Esse depois é um depois de algum lugar, seja geograficamente, temporalmente ou psicologicamente. A utilização contemporânea desse prefixo traz consigo camadas de pressupostos. Uma dessas camadas é que algo ficou para traz com o rompimento de algumas barreiras temporais e psicológicas. A queda do Muro de Berlim pode ser exemplificada como sendo uma dessas barreiras, tanto de forma física quanto de forma metafísica.
A utilização do prefixo abarca outros problemas, em especial quero destacar dois: como pensar em algo que está, temporalmente, depois da história? Como pensar em algo que está depois, epistemologicamente, da verdade?
O livro de Wisnik procura estabelecer uma concepção de mundo que vem depois da queda das torres do World Trade Center, em 2001. Para Wisnik, o ataque inaugura um novo tempo, que bem poderia ser chamado de "nevoeiro". Nesse tempo verdade e mentira podem ser confundidas, dependendo do olhar que somos instados a lançar.
O autor explora no livro como padrões epistemológicos têm sido estabelecidos por uma inteligência maquínica, que usa algoritmos para descrever e convencer o que é e como é o mundo. Wisnik correlaciona conceitos de estética, psicanálise e epistemologia, e como esses conceitos colaboram para compreendermos as questões relacionadas ao presente no campo da artes e, sobretudo, na arquitetura.
O livro também me ajudou a compreender melhor o conceito de imagem e como as imagens se relacionam (ou não) ao real. Me fez repensar o conceito de real e como esse conceito pode ser subvertido por interesses outros, demonstrando que no contexto do "nevoeiro" as distinções se tornaram mais difíceis graças aos implementos tecnológicos, que também tem mostrado sua vilania na escrita de um mundo, digamos, "pós-real".