Quando se apaixonou pelo escravo José, Teresa não mediu esforços para que pudesse ser feliz com ele, mesmo que isso significasse ajuda-lo a escapar e que isso os tornassem fugitivos. Porém quando são descobertos e José é morto por capitães do mato, mesmo estando destroçada por dentro, ela decide tentar a sorte em São Paulo com sua irmã mais nova. Teresa chega a cidade no limite de suas forças e com a irmã doente e quando tudo parece estar perdido e ninguém lhe estende a mão uma carruagem surge em seu caminho para mudar o seu destino. O dono dela, o sombrio Conde de Del Rio, se mostra disposto a ajuda-la depois de saber de sua desafortunada sorte. Com o tempo entre eles surge uma improvável, mas sincera, amizade que os ajuda a lidar com seus fantasmas e superar seus traumas. O que os dois não sabiam é que essa amizade ensinaria a duas pessoas tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo que o amor pode surgir de onde menos se espera.
Quando a carruagem passar -
Rosane A. Meira
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Órfã de pai e mãe, Teresa e sua irmãzinha , Rosa, para não morrerem de fome no interior da Bahia do século XIX, conseguem abrigo e comida em troca de trabalho na fazenda de uma viúva, dona de uma plantação de bananas. Lá, ela conhece e se apaixona por José, um jovem negro escravizado que não cansava de lutar por sua liberdade. José abre os olhos de Teresa para sua própria condição de exploração ali, pois ela não recebia nenhuma remuneração. Teresa, porém, apesar de exercer trabalho análogo à escravidão, tinha privilégios trazidos à sua cor de pele que lhe permitiam partir quando fosse sua escolha e não ser perseguida por isso, nem muito menos receber chibatadas. O pouco estudo que Teresa tinha, a possibilita ajudar José, ela e sua irmã a escaparem da fazenda. Infelizmente, os capatazes acham o esconderijo do casal e assassinam José. Teresa, agora viúva, foge com sua irmã para São Paulo em busca de melhores condições de vida, mas a fome e o cansaço fazem com que ela seja socorrida pela carruagem de Daniel, conde del Rio, quando procurava emprego. Logo no início do livro, a autora comenta que a história foi inspirada na música “Carruagem” de Cavalo de pau ( eu quase dei um grito quando li isso, porque amo forró das antigas, e são bandas que tem letras muito românticas) . É daí também que vem o título, refrão da música. Daniel, partilhava com Teresa a condição de viúvo e a construção do relacionamento deles é gradual- o que se inicia como relação de patrão/empregada, caminha para professor/aluna, para amizade até que chega no amor- que chamamos no mundo dos romances de “slow-burn”. O que me chocou assim que Teresa começa a trabalhar para Daniel e quando desenvolve uma proximidade a ele foi o fato de em sua fazenda ter pessoas escravizadas- e ela não questionar isso- além de trabalhadores livres, mas a situação acaba sendo posta em discussão quando Daniel precisa vislumbrar os privilégios de quem nunca teve necessidade de avaliar o sofrimento do statuos quo que perpetuava, mesmo tendo pessoas a aconselha-lo. Eu acho que isso é muito comum até hoje. Muitas pessoas só passam a pensar na exploração que está ao seu lado ou até mesmo causada por elas, quando alguém querido viveu uma situação semelhante. A relação de Daniel e Teresa foi sempre pautada no respeito que tinham um pelo outro e principalmente no respeito que tinham ao amor perdido que ambos carregavam. Mesmo tendo a carga dramática do luto e da diferença social, o romance deles é suave. Do Nordeste ao sudeste, a caminhada de Teresa representa a jornada de tantos retirantes nordestinos que em séculos passados partiram de suas terras, abandonaram suas raizes, a fim de deixar para trás a sobrevivência e tentar agarrar a vida. Ao contrário de muitos deles, Teresa teve a sorte de encontrá-la e junto a ela a companhia de um novo amor que ensinou a ambos a crescer, cada um naquilo que lhe cabia. Teresa, intelectualmente e Daniel, em sua empatia. Um romance sobre o altruísmo do amor e os aprendizados que ele traz.
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