Pensava que a HQ fosse reedição da que foi publicada pela EBAL em 1948. Que nada! É outra adaptação com suas peculiaridades.
Sobre as ilustrações, são mais refinadas que a edição pioneira, de um jeito clean, porém, longe do plano espetacular. A capa é decentemente melhor trabalhada e a adaptação é mais curta.
O roteiro enxugou muita coisa, cortando algumas personagens e passagens interessantes do romance, apresentando-se bastante formal e menos empolgante na leitura.
O destaque está em Acabe, idealizado de maneira a transparecer a loucura de maneira impactante. Seja no desenho esquisitão que lembra mister Hyde (algo meio simiesco, atávico), quanto no roteiro, que destaca a disposição maluca, afoita e insensível a objetivo egoísta e cego.
Fico imaginando o que leva os homens a transformarem um mal desígnio em objetivo maior de vida, disposto até mesmo a perder o que ainda tem de valoroso (como a família abandonada por Acabe). Só um coração entregue ao egoísmo, cego e endurecido. Nesse ponto, não tá nem aí com nada, buscando somente sua satisfação.
Devaneio... Veja o caso da Venezuela, é um Pequod naufragando, com outro Acabe agarrado na presidência, conclamando e forçando os tripulantes à sua liderança arbitrária, cada vez mais instigando um monstro opressor capaz de se voltar contra ele. Em Moby Dick foi assim...