Tênis sempre foi a maior paixão de Willy Novinsky desde que pegou em uma raquete, aos 5 anos de idade. "Ame a mim, ame meu jogo", dizia aos 23, quando galgava o ranking, colocada entre os tenistas profissionais medianos. Até que ela conhece Eric Oberdorf: matemático recém-formado pela Universidade de Princeton, capaz de chamar atenção não só pela beleza, mas pela habilidade em diversas atividades, como a atuação nas quadras e em torneios de menor destaque. Mesmo que à sombra da antiga relação de confiança e dependência entre a esportista e seu treinador, Eric torna-se a nova paixão de Willy. Os dois se casam. Assim como a esposa, Eric batalha para alcançar o glamour do circuito internacional. Logo, a vida em comum, repleta de cumplicidade e desejo, dá lugar a uma competição cada vez mais acirrada por uma colocação entre a elite do esporte com a classificação entre os chamados top 100. E o casamento tende a se provar uma jogada com efeitos imprevisíveis no desempenho de Willy. À medida que o rendimento dela decai, as habilidades do marido o levam mais longe no ranking mundial. Com diálogos incisivos e ágeis, Lionel Shriver faz uma investigação retórica dos medos, das esperanças e das traições de uma relação amorosa, e assim nos oferece uma exploração magistral e provocante do jogo romântico entre um casal.
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Ver maisUma mulher detestável
Há tempos não lia um livro com um vilão tão potente. Willy Novinsky é simplesmente a personagem mais detestável que já passou na minha vida e se ela foi criada, a responsável por isso NÃO pode ser uma boa pessoa. O que li aqui, não pode ser só criatividade. Tem que haver um pouco de auto biografia. Após sobreviver duramente a mais um livro de Lionel Shriver, eu concluo: Esta mulher é o demônio. E um dia, ainda vai ganhar o Nobel de Literatura, pois é incrível a sua capacidade de mexer com os sentimentos humanos mais mesquinhos. Lionel é relevante para estudo de Tese de Faculdade: A mesquinharia no sexo feminino no século XXI. Após ler 3 livros da autora, fico tranquilo em dizer que é impossível comentar sua obra de maneira individual. Lionel Shriver tem uma obra, e por mais que esta obra discuta as mazelas atuais de nossa sociedade moderna, eu afirmo que o tema principal de tudo é o Rancor. E haja mulher desprezível. A primeira foi Eva, a mãe de Kevin com seus pensamentos egoístas sobre ter um filho e que pagou um preço muito caro por isso. Depois veio Glynis, em Tempo é Dinheiro, que era tão egoísta que não conseguia confessar sua própria culpa, transformando a vida de seu servil marido numa provação maior ainda. Ali, diferente de Kevin, pelo menos houve uma ressurreição. Já aqui, o egoísmo e fracasso é tão grande que o final é uma das coisas mais amargas que já li. Dupla Falta conta a estória de Willy Novinsky, que desde sua infância sempre foi apaixonada pelo tênis, se dedicando integralmente e simplesmente em ser "a melhor". Aos 23 anos ela conhece Eric, que está começando a jogar tênis profissionalmente. Eric consegue cativa-la, e eles acabam se casando. Eric é um perfeccionista, que sempre fez muito bem tudo aquilo que se dispôs a fazer. E isso num livro de Shriver não por ser algo bom. Com o tempo, Willy passa a vê-lo como uma ameaça, e não mais como seu marido. O que devia ser um simples casamento, com ambos se orgulhando dos progressos e vitórias dos outros, passa a ser uma competição. E Willy é mesquinha e cruel e burra. Muito burra. Em certas partes da leitura eu me vi gritando com o livro, com vontade de espanca-la. E é isso que a Lionel consegue fazer com seus leitores. Entramos tanto na estória que nossos sentimentos primários ficam aflorados. Foi assim com Eva e principalmente com Kevin. Foi assim com a estupida e egoísta Beryl, a irmã sanguessuga de Shep e agora com Willy. Acho que senti mais pena de Eric, do que de Frank que foi traído pelo sonho da America perfeita e de Shep, que quase viu seu sonho de Outra Vida ir por agua abaixo. Mas no fundo Eric também era ruim. Ele tinha o mesmo grande defeito de Willy: Não sabia perder. Porém, ambos buscavam vitórias em jogos diferentes. Willy apostou sua vida no Tenis. Eric apostou no casamento. No tênis ele venceu Willy, a fracassada. Mas no casamento, ela conseguiu lhe dar uma surra de 5 sets a 0. E o pior de tudo ao ler estes livros da Sra Shriver, é você parar para pensar e concluir que conhece pessoas parecidas ao seu redor. Lionel Shriver tem o dom de retratar a realidade. No fim, fica até difícil saber se recomenda o livro ou não. É uma ótima leitura, mas deveras indigesta. Se para você leitura é algo somente para relaxar, passe longe. Se quer algo que mexa com suas entranhas, que lhe de raiva, que lhe faça pensar e perceber que o mundo nunca será cor de rosa, mergulhe de cabeça no universo cruel da Sra Shiver.
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