Por que uns e não outros?
O livro é uma pesquisa científica que por meio do estudo das trajetórias e estratégias utilizadas, visa explicar a chegada de diversos jovens pobres à Universidade, enquanto outras pessoas com as mesmas características econômicas, sociais e culturais têm trajetórias tão curtas. Criei relação com o livro por ver nele minha própria trajetória. A pesquisa foi realizadas com jovens da Maré, bairro na cidade do RJ que conta com 16 comunidades. Na época da pesquisa apenas 0,5% dos 132.000 moradores contavam com diploma de graduação, enquanto que 20% da população da Maré era de analfabetos. Um ponto comum dos jovens favelados que chegaram a universidade é que a maioria possuíam identidade de esquerda, apenas um era social democrata. Todos tinham uma visão coletiva. Seguiam envolvidos em questões da comunidade, seja por meio da igreja católica em pastorais, dando aula no pré-vestibular comunitário ou pela associação de moradores. A estratégia mais importante utilizada pelos pais, foi a participação ativa na vida escolar dos filhos e a limitação do tempo em que esses passavam na rua. Não permitir que os filhos ficassem na rua, foi a estratégia mais efetiva para as crianças criarem laços profundos com a escola no ensino básico e projetarem um outro futuro por meio do estudo. Outro ponto importante foi a inserção dos alunos em outros campos. A possibilidade de conhecer outra realidade e de ter acesso à cultura (cinema, livros, circo, música), foi de extrema importância para a projeção de um futuro diferente. O livro mostra com dados científicos que a meritocracia não existe. Apresenta algumas críticas para as teorias pedagógicas hegemônicas que promoveram a culpabilização do sucateamento da educação pública na escola ou na família de forma individual, o que contribuiu para a precarização do trabalho do professor e do ensino. Por fim, o autor mostra que a única saída para se reduzir as desigualdades frente ao ensino é o Estado investir na redução das desigualdades econômicas e sociais. Vale muito a pena ler o livro.
