Pensando sobre essa atmosfera extraordinária de Quicksand de traição e desconfiança. Acompanhar TODAS as personagens e ter opiniões tão distintas sobre cada uma e não saber nunca se alguma delas é transparente é uma agonia enorme e é um prazer meio masoquista que serve como motor para querer virar a próxima página do livro.
Pensar que tudo isso se passa em uma história de amor em que confusão, desejo e possessividade se misturam de uma forma tão egoísta e tão ardilosa deve fazer desse livro uma das melhores perspectivas sobre romance e paixão e que simula, de uma forma meio cínica — e infelizmente até meio realista — as nossas ansiedades e ilusões quando queremos nos entregar a alguém.
Achei que se tratando de um clássico a leitura ia ser mais difícil, mas na verdade é uma história super simples e super acessível com personagens únicas e tão estruturadas, tão bem construídas que elas se tornam vozes potentes para fomentar um enredo que é muito, muito cotidiano, mas absolutamente extraordinário.
O desfecho do livro é a minha parte favorita porque é a concretização da desconfiança e também do autosacrifício em forma de uma dúvida que perdura para além da vida e para além da morte. É esse o impacto de um amor bem vivido?