As Relações Perigosas (Biblioteca Folha. Clássicos da literatura universal #11) - Ou Cartas Recolhidas num Meio Social e Publicadas para Ensinamento de Outros

    Choderlos de Laclos

    Publifolha
    1998
    428 páginas
    14h 16m
    ISBN-13: 85-7402-037-0
    Português Brasileiro

    Uma troca de cartas repleta de sedução, engenhosas estratégias de manipulação e cruéis jogos de poder vêm a público em "As Relações Perigosas", clássico romance francês. Considerada uma das obras mais controversas, discutidas e representativas da França, esta obra-prima alcançou um sucesso proporcional às polêmicas causadas logo após seu lançamento, em 1782. Porém, nem mesmo a crítica pôde captar a poderosa ambiguidade deste marco da literatura epistolar. Choderlos de Laclos (1741-1803) construiu um romance em cujo primeiro plano se destacam as relações amorosas, a perda da inocência e a traição, mas cujo pano de fundo é um dos mais sofisticados e ferinos retratos da aristocracia pré-Revolução Francesa e uma sofisticada reflexão sobre a hipocrisia do poder. Além disso, o livro teve inúmeras adaptações para o teatro e para o cinema. A Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont, apesar de todo o luxo que os rodeia e da extrema cortesia e sofisticação que aparentam, personificam o que há de mais vil na humanidade. Ex-amantes, os protagonistas destas 175 cartas fingem e manipulam as pessoas a seu bel-prazer. Talvez para testar seu poder, talvez para passar o tempo, tecem um plano de sedução e vingança para provar que não são manipuláveis e descartáveis como os outros. Esse plano é descrito com requintes de perversidade por eles em cartas nas quais revelam seus mais íntimos pensamentos - e o fazem com tanta precisão que na época imaginou-se que o romance era, na verdade, uma reunião de cartas verídicas sobre fatos que realmente aconteceram. Antecipando idéias que Freud só viria a nomear mais de um século depois, tendo como inspiração o romance epistolar Júlia ou A nova Heloísa (1761), de Rousseau, Laclos mergulhou nas profundezas dos seus personagens, retratando os costumes e as instituições de seu tempo, como a religião, a educação das mulheres, o casamento e a sexualidade. As Ligações Perigosas teve inúmeras adaptações para o teatro e o cinema as mais famosas dirigidas por Roger Vadim (1959), Stephen Frears (1988) e Milos Forman (1989) -, com performances que renovam o espírito provocador e revolucionário deste delicioso clássico sempre atual.

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    Clio picture
    Clio28/03/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma das maiores obras políticas já publicada. As Relações Perigosas são uma crítica social e um retrato da elite francesa no fim do século XVIII. A escrita, feita de forma epistolar, narra pequenos momentos da vida da Marquesa de Meurteil e do Visconde de Valmont - duas cobras políticas que diminuem o próprio tédio e aumentam sua influência através de pequenos jogos de sedução e ruína. Chordelos de Laclos não escreveu com uma função moral tal obra. Seu desprezo pelos personagens retratados (e influenciados) se revela na forma quase obscena que expõe suas vidas e pensamentos. É o desdém revelado no olho e na ausência de palavras bonificadores que evidenciam a opinião do autor mais do que qualquer palavrão ou vilipêndio poderiam. A trama é densa: Valmont e Meurteil apostam sobre a sedução de uma jovem, Cécile. Esse ato, inicialmente o resultado de despeito e vingança por parte de Meurteil, acarreta cenas de duelo, ruína, e morte. Várias peças e filmes foram e ainda são produzidas baseadas na obra de Chordelos de Laclos, mas as mais populares em terras tupiniquins ainda são Dangerous Liaisons (1998) com John Malkovich e Glen Close, e Cruel Intentions com Sarah Michelle Gellar e Reese Witherspoon em uma versão moderna.

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