Todo mundo sabe o quanto eu sou fã dessas mulheres. Saiu um novo trabalho, eu estou indo lá conferir. Quando recebi a ARC de Twice in a Blue Moon não perdi tempo, principalmente porque eu havia entrado um grande limbo de ressaca literária e qualquer trabalho delas resolve esse detalhe fácil fácil.
A história é dividida em dois espaços de tempo. Até mais ou menos metade do livro, vamos acompanhar como Tate e Sam se conheceram, se apaixonaram e se separaram de uma forma nada boa. Nos dias de hoje, Tate está a passos de estrelar sua maior produção ao lado de seu pai, com quem não tem uma boa relação, e não contava com a volta de Sam na sua vida.
Apesar de gostar bastante dos trabalhos das autoras, nesse aqui eu tive um pouco de dificuldade no início. Nesses capítulos que se passam quatorze anos atrás, tive a impressão de estar lendo um romance YA. Quando se conheceram, Tate estava com 18 anos e Sam com 21, mas suas atitudes, personalidades, comportamentos e até interações pareciam de adolescentes.
Já Sam e Tate de quatorze anos depois ainda têm muito o que conversar e desabafar. Sam sente pelo que fez por Tate e Tate ainda sofre por ter depositado sua confiança em alguém que a traiu. Quando descobrimos o motivo pelo qual Sam fez o que fez, eu fiquei tipo a Tate: entendo, mas é difícil de perdoar. Há muito caminho para os dois percorrerem e gostei da atitude do Sam de não forçar sua presença na vida de Tate.
Diferente dos dois últimos lançamentos, esse livro tem uma carga emocional bem maior, justamente por Tate ser uma mulher insegura, não só por causa de Sam. Sua relação com seu pai é, no mínimo, fabricada e ela quase sempre é alvo de alguns comentários passivo-agressivos. Nesse caso, gostei que ela não se rebaixa ao nível de uma pessoa fim de carreira (literalmente) porque sabia que poderia ricochetear em tudo que ela lutou nos últimos anos.
Como não tivemos uma visão da parte de Sam, fica difícil saber como ele está se sentindo ao rever Tate após 14 anos e magoá-la profundamente. Pela narração de Tate, sabemos que Sam se martiriza, mas teria sido um bom acréscimo se fosse ele a narrar seus sentimentos.
Um detalhe que não posso reclamar é da ambientação da história. As autoras souberam bem descrever o dia-a-dia de um set de gravação, com sua rotina e socialização entre os envolvidos. Nessas narrações, houve até a narração de uma gravação de uma cena de sexo e achei bem legal o clima que elas colocaram entre os envolvidos.
Apesar de não ter se tornado um dos meus favoritos das autoras, recomendo Twice in a Blue Moon para todos aqueles que acreditam em segundas chances e amores que perduram durante anos separados. O livro está com lançamento internacional previsto para dia 22 de outubro.