Reunião de poemas do escritor mineiro Eloésio Paulo A preciosidade do poema de Eloésio está no fato de ironizar, sarcasticamente, o aprendizado durante a catequese, destituindo assim, mais uma vez, o lugar da palavra verdadeira, recebida como dogma, e instituindo sub-repticiamente uma tensão intranquila, já que, no exato momento de iniciação do sujeito menino na cultura católica, o inferno em relação ao céu apresenta-se “mais próximo e palpável”. (...) O humor fermentado com ironia é recurso utilizado, talvez, como um dos principais elementos articuladores do caráter crítico do corpo desta poética, imantando os poemas de potência provocativa em que o riso irônico ajuda a explorar e descobrir um ponto de vista diferente, como em “A morte de Maria Rita”, “Tudo mudava quando/ um qualquer desafiava/ o momento de mau humor das águas”, ao vestir-se com a más-cara feminina, em “A primeira vez”, “Queria que eu fosse um violão/ mas nem tinha ouvido falar/ de espeleologia”, e no riso inevitável provocado pelo deboche em “Para maior glória da besta”, “As freiras sim continuavam feias/ e castas a despeito das más línguas/ suas orações ecoando/ num penhasco e se perdendo”. (Samuel Rezende)
O teu que é mais azul - Poemas
Eloésio Paulo
Scorteccci Editora
2019
108 páginas
3h 36m
ISBN-13: 9788536658292
Português Brasileiro
Edições (1)
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