À Sombra das Raparigas em Flor - Em busca do tempo perdido - vol. 2

    Marcel Proust

    Relógio D'Água
    2016
    470 páginas
    15h 40m
    ISBN-13: 9789896416201
    Português

    m Busca do Tempo Perdido é um livro que tem, nas palavras do seu autor, «a forma do tempo». E, na verdade, o que distingue este romance é o reforço da sua concepção da memória como recriadora do passado. É isso que permite o misterioso encanto da narrativa e o tom de dolorosa nostalgia em que o passado envolve o presente. Mas o recurso à memória involuntária faz com que Proust nunca transmita uma realidade de que a sua imaginação esteja ausente. Ainda muito jovem, conhecia de cor todos os pormenores da vida das damas que tinham frequentado os salões de Paris desde o século xvii, como Madame La Sablière ou Madame de Staël. E foi precisamente a sensação da decepção em relação ao imaginado que ele sentiu nesses salões parisienses onde foi buscar muitos dos personagens que povoam o seu universo ficcional. É dessa desilusão, vivida nos salões de Madame Aubernon, Madame Arman de Caillavet ou da Condessa de Grefulhe, que nascem os personagens que frequentam os da senhora Verdurin e dos Guermantes de Em Busca do Tempo Perdido.

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    A. Brito11/08/2021Resenhou um livro
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    Proust - À sombra das jovens em flor

    O narrador deste livro é uma enciclopédia de ideias, juízos, intuições. Todo o livro é escrito, não só sobre a égide da memória, como o próprio autor afirma, mas também sob a égide da intuição criativa. Em cada linha há uma análise, um aparte, um dito de uma profundidade e de uma verdade quase inimagináveis., analista da vida em sociedade, parece ver cada pormenor ao microscópio, e com um balança em cada mão, rindo do modo como cada um valoriza a sua pessoa, a sua palavra, o seu estatuto, observa a diferença entre o estatuto real e o estatuto imaginado de cada um, a forma como cada um se integra na sua classe social, conhece o que sente um jovem, uma jovem, analisa a forma como cada um se comporta na vida em sociedade, o modo como o coração muda, insensivelmente, e logo a seguir muda de agulhas e discorre sobre literatura. É difícil perceber se são mais admiráveis os pensamentos em si, ou a forma como estes engastam no texto com uma naturalidade de tapeçaria, numa complexa lógica de rede em que nada é deixado ao acaso, como se uma locomotiva passasse a pente fino toda a alma humana; uma estrutura que é tudo menos natural, tão difícil de criar como os próprios pensamentos que dela fazem parte. É notável a fluidez das frases que se alongam como videiras e trepam aos ombros de outras que por sua vez se alongam e dão continuidade a novos pensamentos. Uma escrita tão elegante que parece natural, mas não é, ninguém escreve daquela forma sem um trabalho meticuloso de artífice por trás, mas a verdade é que em nada se nota esse trabalho, as frases caem no papel como as tolhas de certas mesas em certas casas. As personagens e as situações narradas são extremamente verosímeis e simples, quase naturais e tudo se vai encadeando para nos mostrar mil realidades diferentes da realidade, como quem forja as cores estilhaçadas de um caleidoscópio uma a uma e por fim une o caleidoscópio a partir de uma gigantesca memória criativa, desproporcionada, que abrange em si todas as pluralidades.

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